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Crítica - filmes: Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw




A Guerra dos “Tanquinhos”

 

por Alexandre César


Spin-off da franquia se revela uma divertida bobagem


O primeiro "spin-off" da popular cinesérie vai fundo...


Surgidos como coadjuvantes na franquia Velozes & Furiosos, mais especificamente nas partes 5 (Velozes & Furiosos 5: Operação Rio de 2011) e 6 (Velozes & Furiosos 6 de 2013),  já na fase em que a cinesérie havia optado por deixar como foco principal os carros tunados e mulheres de roupas curtas com idêntica intensidade, optando pela aventura alucinada, plena de autoparódia que ampliaram o seu público-alvo) Luke Hoobs (Dwayne Johnson) e Deckard Shaw (Jason Statham) rapidamente caíram no gosto da audiência, muito em parte devido ao carisma e talento dos astros, gerando inclusive um “racha” interno com os remanescentes de elenco original, sentindo-se alijados de seu protagonismo (tanto é que não colaboraram na divulgação internacional do filme...) e agora estrelam o primeiro spin-off da franquia, que correrá paralelo à cinesérie original, que deverá estrear a próxima sequência em 2020 já sem esses personagens. Bilheterias e egos: Coisas de cinema...

Brixton Lore (Idris Elba) o vilão "tunado" por implantes 
cibernéticos. Genérico, mas com potencial futuro...


Enquanto o eterno “The Rock” já entrou na franquia como um dos mocinhos e um bom paizão na melhor tradição “famíla é tudo” da franquia, o inglês casca-grossa (transplantado da franquia Carga Explosiva) surgiu na cena pós-créditos da da parte 6 como o irmão mais velho do vilão Owen Shaw (Luke Evans), tornando-se o antagonista da parte 7 e, “milagres” da sétima arte, na parte 8 os dois irmãos foram reabilitados ao aceitarem salvar o bebê, filho de Dominic Toretto (Vin Diesel) num resgate em pleno ar no jato da bela e cruel Cypher (Charlize Theron) numa inesperada participação especial, digna dos filmes da Marvel. Estavam lançadas as sementes da expansão...

Hattie Shaw (Vanessa Kirby) a "mana" de Shaw: Dura 
na queda como o irmão Deckard.

Dirigido por David Leitch (Deadpool 2 de 2018, Atômica de 2017) Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (2019) cumpre bem a sua missão de fazer uma boa aventura descerebrada e descartável, que poderá render frutos caso a bilheteria corresponda, até porque, tirando uma escorregadela ou outra o trunfo do filme é se saber ser uma aventura descerebrada e descartável...


Os dois se bicam o tempo todo em boas piadas metalinguísticas.

O vilão da vez é Brixton Lore (Idris Elba) um ex-agente do MI-6 e antigo desafeto de Shaw, que é um verdadeiro “Exterminador” sendo aprimorado ciberneticamente, com enxertos em seu corpo que dão força e agilidade sobre-humanas, servindo inclusive como uma resposta para aqueles que viraram o rosto quando se especulou da sua indicação para substituir Daniel Craig como James Bond, o 007. Embora seja um vilão genérico, Brixton tem potencial para ser melhor explorado num futuro, até porque, em Velozes & Furiosos, tal qual nos gibis da Marvel, a morte não é um impedimento (salvo quando for a morte de um ator, como foi no caso de Paul Walker).


Brixton não dá mole para ninguém e segue firma na caçada...

Na trama Hattie Shaw (Vanessa Kirby de Missão: Impossível - Efeito Fallout  bem à vontade no papel) a irmã mas nova de Deckard e agente do MI-6 faz parte da escolta do transporte de um vírus letal apreendido de um grupo terrorista, sendo o mesmo atacado por Brixton e seus sequazes, sendo ela a única sobrevivente. Para não entregar a carga, ela inocula o vírus em si mesma, precisando fazer a extração em 30 horas para não morrer, quando as cápsulas em sua corrente sanguínea se dissolverão. Brixton espalha via internet fake news desacreditando-a como traidora e assim deixando-a sózinha e sem apoio. Entra aí a CIA via o agente de ligação e Hobbs (Ryan Reynolds “no modo Deadpool”) que recruta os dois “casca-grossas” para resgatar o vírus, salvando a tiracolo Hattie, o mundo e de quebra resgatando os vínculos familiares tanto de Shaw, que realiza o sonho de sua mãe, a perigosa e classuda Magdalene (Helen Mirren roubando a cena sem esforço) de reunir a família, quanto de Hobbs, que resgata a sua herança familiar samoana, da qual estava afastado há 15 anos. Nada mal para alguns dias de trabalho...


"-Garotos... sempre brigando..."

A história de Chris Morgan (os filmes 4, 5, 6 e 7 da série) que assina o roteiro com Drew Pearce (Hotel Artemis de 2018), que por sua vez é baseado nos personagens criados por Gary Scott Thompson trabalha os clichês do gênero ora de forma esperta ora de forma convencional, descrevendo a velha história dos “dois caras que não se bicam sendo obrigados a aprender a deixar as suas diferenças de lado ao enfrentarem uma desafio comum”, coisa que caso não se apoiasse numa boa dupla de intérpretes renderia apenas uma versão anabolizada daqueles telefilmes que vemos domingo à noite na Rede Globo. O primeiro ato, quando são apresentados os personagens em seus mundos, mostrando em paralelo as diferenças e similaridades entre a ensolarada Califórnia e a chuvosa Londres é de um primor impecável, graças à edição de Christian Wagner (A Outra Face de 1997, Chamas da Vingança de 2004, MIB Internacional de 2019) e Elisabet Rónaldsdóttir (Contrabando e 2012, Deadpool 2) que decupa brilhantemente o modo de vida tanto de Hobbs quanto de Shaw, valorizada pela bela fotografia Jonathan Sela (Max Payne de 2008, John Wick: De Volta ao Jogo de 2014) usando uma tabela diferenciada de cores para cada país.


A herança samoana de Hobbs: Como diria Toretto "- Famíla é tudo..."

Integram ainda a galeria de personagens Madame M (Eiza González de Alita: Anjo de Combate e a série  Um Drink no Inferno da Netflix) como a típica chefe gostosona de uma quadrilha de mulheres (típico fetiche do gênero), o Prof. Andreiko (Eddie Marsan de Atômica) o típico cientista que “criou uma arma de destruição em massa mas não sabia o que iria ser feito dela” (outro clichê), Sam (Eliana Sua) a fofa e esperta filhinha de Hobbs, que vê escondida do pai Game of Thrones, e o resto da família: Os irmãos Jonah Hobbs (Cliff Curtis de Megatubarão), Kal Hobbs (John Tui), Timo Hobbs (Josh Mauga) e a mãezona Sefina (Lori Pelenise Tuisano) que mantèm o clâ na linha sob a ameaça de chineladas. Eu, não a desafiaria...O clã Hobbs resgata a tradição familiar da série, e resgata os carros tunados, foco inicial da franquia, e noo climax há uma mensagem subliminar quando cada irmão pilota um carro impulsionado com o bom e velho óxido nitroso, de alta octanagem, engatando um nos outro, formando uma corrente e, impedindo o helicóptero do vilão de fugir. Os elos familiares quando cultivados são invencíveis, uma lição digna do clã Toretto, embora feita de forma meio over.


Momento introspectivo-primal: AAAAAAAHHHHHH!!!!


O filme a partir da metade perde um pouco o fôlego, ficando em alguns momentos arrastado mesmo nas cenas de ação, pela necessidade de dar tanto a Johnson quanto a Stathan (que são alguns dos produtores do filme) o mesmo tempo de cena esquecendo por causa disso a regra de ouro do “menos é mais” . Se reduzissem uns dez minutos na metragem, o filme ficaria mais enxuto e eficiente sem prejudicar o protagonismo de seus astros.


O legado da série: Carros tunados dão as caras no climax.

No mais , os valores de produção como o desenho de produção de David Schnemann (Bastardos Inglórios de 2009, Atômica) e os figurinos Sarah Evelyn (A Torre Negra de 2017, American Horror Story) são eficientes, embora nada memoráveis, da mesma forma, a música Tyler Bates (Watchmen de 2009, John Wick 3: Parabellum de 2019) cumpre a sua parte, com uma seleção de hits clássicos e contemporâneos, criando um produto dançante, mas não memorável.


Dá & leva: Ao final se resolve a coisa no "apanho uma e dou outra"...


Ao final, o público-alvo provavelmente sairá satisfeito com essa nova frente da franquia, que correrá parlela ao núcleo original. Em que pesem prós e contras o consumo de pipoca e refrigerante não deverá ser prejudicado, pois como um colega já disse que “a equipe de Velozes & Furiosos é a versão classe operária da Liga da Justiça” agora teremos Toretto & Cia como a Liga da Justiça da América agindo na Terra do Tio Sam e Hobbs & Shaw como a Liga da Justiça Internacional provavelmente salvando o mundo em locações variadas, pois eles inclusive terminam o filme tendo a sua nêmesis, A sua Espectre, tal qual James Bond...



Hobbs: "- Eu sou o Batman e você é o Robin nesta dupla. Entendeu? 
" Shaw: "- Nem F*#%dendo!!! Robin de c*% é r&la!!!"



 



Crítica: Godzilla II: Rei dos Monstros


Ciclópico...  


por Alexande César 


Continuação firma o conceito do "Monsterverse"

 
“- Ele não é realmente mau, mas o problema é que ele é muito grande, e aí quando ele anda, ele acaba pisando nas pessoas...”


O original de 1954: O clássico homem em roupa de borracha...

Esta definição feita pela sobrinha de 10 anos de um amigo meu com relação à versão de 1998 dirigida por Rolland Emmerich ainda permanece como a melhor definição de Godzilla, o titânico dinossauro gigante nipônico que desde a sua estreia em 1954 (nove anos após a detonação da bomba de Hiroshima) no clássico dirigido por Ishiro Honda tem literalmente não deixado pedra sobre pedra sobre Tóquio ou qualquer cidade pela qual ele tenha passado enfrentando adversários tão colossais quanto ele, abrindo a caminho para todas as empreiteiras que queiram depois faturar com as obras de reconstrução (este dado nunca foi mencionado nos filmes, mas vocês duvidam???).

O Rhedossaurus de Ray Harryhausem: Fonte inspiradora.


Fruto dos talentos de Honda e do produtor Tomoyuki Tanaka, além do compositor Akira Ifukube e do mestre em efeitos especiais Eiji Tsuburaya, que anos depois seria o criador da super bem sucedida franquia Ultraman (e seus derivados) o originalmente lagarto gigante popozudo emborrachado, que era mestre em destruir maquetes, arrebatou o imaginário pop, gerando filmes, quadrinhos, toda e qualquer sorte de colecionáveis, animações e é claro que Hollywood não ficaria insensível a tão promissora fonte de verdinhas. A primeira tentativa, não bem sucedida foi a já citada versão de 1998 com Mathew Broderick e Jean Reno, que tinha como principal falha a de, tal qual no filme inspirador do personagem, O Monstro do Mar, 1953 de Eugène Lourié, com efeitos de stop motion da lenda Ray Harryhausen, o fato do monstro morrer no final. Tudo bem que o Godzilla original também morria, mas os japoneses perceberam rapidamente (ao contrário dos americanos...) que O MONSTRO É QUE ERA O HERÓI DA HISTÓRIA!!! Então, porque não enaltecê-lo? 


O "state of art" atual: CGI com captura de movimentos. Curiosamente 
os japoneses conseguiam ser mais dramáticos com os monstros de borracha...

Passados alguns anos finalmente surgiu um cineasta que realmente entendeu o conceito do personagem e conseguiu adaptá-lo ao modus operandi norte-americano sem perder a essência do poderoso Kaiju (como os japoneses se referem aos monstros gigantes do cinema) e assim, Garreth Edwards (Rogue One) que havia dirigido o filme independente Monstros (2010) dirigiu Godzilla (2014 ) conseguiu fincar as poderosas patas do monstro de maneira sólida no território ianque, dando início ao conceito do Monsterverse da Legendary Pictures e da Warner Bros.Pictures, que em associação com a Toho Film Company Ltd. Lançaram o projeto de um universo compartilhado tal qual nos filmes da Marvel Studios sendo lançado em seguida Kong: A ilha da Caveira (2017) de Jordan Vogt Roberts já redimensionando o gorilão para o padrão peso-ultra-super-pesado e alicerçando as bases da mitologia lançadas no filme de 2014, onde a agência cripto-zoológica Monarch (que desde os eventos do filme de 2014 sofreu um crescimento enorme, tornando-se uma espécie de S.H.I.E.L.D. deste universo, possuindo bases espalhadas por todo o globo) monitora os lendários titâs adormecidos que por vezes no passado ameaçaram a existência humana, servindo e base a muitas lendas e mitos, pois  A Grande Muralha  (2016) de Yimou Zhang seria ambientado no mesmo universo narrativo, funcionando quase como um prequel. 

Stranger Teen: Millie Bobby Brown como Madison Russel,
 a adolescente geniazinha da vez...

Dirigido por Michael Dougherty (roteirista de Krampus: O Terror do Natal, Superman O Retorno, X-Men 2) Godzilla II: Rei dos Monstros (2019) chega com a missão colossal de colocar essa engrenagem monstruosa para rodar e firmar de vez as franquias do lagartão, bem como de Kong, Mothra, Rodan, King Gidorah, e todo “um universo pleno de deuses e monstros”como diria James Whale, o lendário diretor de Frankenstein (1931) não apenas como um produto de nicho nerd, mas como Blockbusters de alta rentabilidade. Haja sopro radioativo!  





Mothra: Uma das grandes atrações do filme com
 lindos efeitos bioluminescentes.



O roteiro é do próprio Dougherty com Zach Shields, história também com Dougherty também com Zach Shields junta-se aos dois Max Borenstein. Borenstein está nesse Universo de Monstros desde 2014. A Terra enfrenta uma sequência de aparições de monstros gigantescos, incluindo Godzilla, que recebe ajuda de Mothra, e enfrenta Rodan e seu arqui-inimigo de três cabeças, King Ghidorah (todos eles personagens pertencentes a  Toho Film Co.Ltd.). 


"Easter-eggs" não faltam quanto ao histórico dos monstros.
 É ficar de olhos abertos e atentos...

Quando estas criaturas milenares – ressurgem, elas lutam pela supremacia, colocando em risco a existência da humanidade, na realidade, humanidade responsável pelo seu ressurgimento. Aqui deve-se elogiar o respeito às origens desses icônicos personagens, ampliando o seu background e fazendo uma citação à teoria de Gaia (que toda a biosfera seria um único organismo coletivo) e os titâs seriam uma forma de corrigir as ações nefastas e atualmente essa destruição está sob peso, culpa e responsabilidade do homem, e assim, nós seriamos o mal, e eles, a cura. Podemos dizer que, em paralelo aos seriados japoneses, todo o planeta Terra se tornou uma grande Tóquio.  


Viva as referências: "Voila l'Ennemi!" Ghidora pousa ameaçador 
sob um vulcão em total alusão a essa publicação francesa de 1902...




Como núcleo principal, temos a típica “família disfuncional, apanhada em algo maior do que ela, tendo a sua união posta à prova”, composta pelo Dr.Mark Russel (Kyle Chandler de  O Lobo de Wall Street, Argo), especialista em comportamento animal e em comunicações a sua ex-esposa Dra. Emma Russel (Vera Farmiga de  Amor Sem Escalas, e Bates Motel) criadores da “Orca”, dispositivo que lhes permite um grau de comunicação com os titâs. Os dois tem o seu relacionamento abalado por uma perda, o que afeta a sua filha Madison (Millie Bobby Brown de Stranger Things) uma geniazinha de 14 anos ou 15 anos, que como toda geniazinha, tem a sua cota de “salvação do dia”. Uma vez Eleven, sempre Eleven... A Dr. Emma Russel será fundamental nessa trama atual. Ela propositadamente se coloca entre a força da natureza e a ciência, posição de difícil equilíbrio. Boa personagem e a lamentar uma corrida desenfreada típica de filmes de ação B norte-americanos (eles adoram isso!! Uff...) Mas não estraga o personagem.



O vilão Col. Allan Jonah (Charles Dance) e as "hóspedes" Madison,
 e sua mãe Dra. Emma Russel (Vera Farmiga).



Aqui temos que apontar a principal falha do filme que é a necessidade de emular a “fórmula Marvel”, no quesito em querer inserir cenas de ação com soldados (para que o público se identifique com personagens humanos talvez) com muitos textos expositivos com os cientistas e, temendo deixar o filme muito sério, diluem o impacto da grandiosidade que desejam com diálogos bobos e piadas idem, tendo o Dr. Rick Stanton (Bradley Whitford de Corra!, The Post - A Guerra Secreta) um cripto-sonógrafo, da Monarch, irritante por suas piadas idiotas, parecendo um personagem de Rick & Morty, sendo um alívio cômico totalmente questionável, desnecessário até, não o personagem mas seu texto. O nerd Dr. Sam Coleman (Thomas Middleditch de Silicon Valley) diretor de tecnologia da Monarch é o elo com o governo americano, apesar de mais contido, não é tão diferente assim... O filme mostra cenas de impacto e portanto há um desejo de criar um apelo a audiência. Mas erram na dose aqui.


A bomba baseada em oxigênio líquido é uma citação ao "Destruidor de
Oxigênio" do filme de 1954, que eliminava o monstro original.


O ponto alto é o núcleo dos personagens japoneses, e aqueles que os rodeiam, excetuando o Stanton, assim, retornando do primeiro filme, o Dr. Ishiro Serizawa (Ken Watanabe de O Último Samurai, A Origem e Godzilla) é o mentor e principal consultor da Monarch e filho de um dos fundadores da agência. Apesar de sua autoridade ele não é o comandante da agência, pois os governos mantém um controle sobre a Monarch. Volta também a Dra. Vivienne Graham (Sally Hawkins de A Forma da Água, Blue Jasmine), paleozoologista da Monarch, e braço direito do Dr. Serizawa, acrescente ainda a Dra. Ilene Chen (Ziyi Zhang (Memórias de uma Gueixa, O Tigre e o Dragão), mitologista e a terceira geração de consultores da Monarch e sua irmã gêmea Dra. Ling. Serizawa e a jovem cientista são muito baseados nos personagens de seriados de monstros e por isso ótimos personagens, pois os japoneses conseguiam transmitir um senso de urgência e seriedade mesmo com monstros de borracha e maquetes de isopor. Esta seriedade nos diálogos e uma dose até exagerada no drama do roteiro é o que fez dos kaijus o que eles são.  


O herói- pai de família Dr.Mark Russel (Kyle Chandler):
 Traumatizado por uma perda decorrente dos monstros...

No núcleo militar, o núcleo humano mais sem graça, com honras se destaca o Almirante da sétima frota americana William Stenz o ator David Strathairn de  Boa Noite e Boa Sorte, Alphas, que tem uma participação pequena mas coerente com as características de um militar e no espírito e clima kaiju (não poderiam ser todos assim?); a Coronel Dane Foster (Aisha Hinds de Além da Escuridão - Star Trek), como a líder do corpo de forças especiais e o oficial Jackson Barnes (O’Shea Jackson Jr. de  Straight Outta Compton – A História do N.W.A.) sendo o” resto da tropa rostos sem nomes, dignos de camisas vermelhas da Star Trek clássica... Hinds consegue manter uma seriedade face ao restante do núcleo militar do filme, exceção o já mencionado almirante, mas apenas dá ordens, não era necessária, para que toda ênfase nos soldados? Bastando o básico de pousar, atacar, correr e só. Sem a necessidade de lhes dar diálogos. Em Star Wars Wedge Antilles entra quase mudo e sai calado e se tornou um dos personagens secundários favoritos da franquia. Tem um personagem militar que poderá entra nesse seleto hall, a 1º tenente Griffin (Elizabeth Ludlow) piloto de um dos V-22 Osprey da Monarch.


Salamandra anabolizada:Rodan, o pterodátilo infernal, saído de um vulcão.


É claro que para dar graça precisamos de um vilão, aqui representado pelo eco-terrorista Coronel Alan Jonah (Charles Dance de  Game of Thrones,  O Jogo Da Imitação), que vê vantagem em fazer com que King Ghidorah vença Godzilla na disputa pela supremacia frente aos outros monstros, tornando-se o Alpha dominante do bando. Não faria feio como vilão de James Bond.  


Ao contrário do lagartão, King Gidorah tem realmente uma natureza 
realmente cruel e sente prazer em destruir...



Nos ótimos valores de produção destacamos a vigorosa música de Bear McCreary (The Walking Dead, Rua Cloverfield, 10), homenageando o tema de Akira Ifukube, e os figurinos de Louise Mingenbach ( a cine série X-Men e  
Se Beber, Não Case! ) são funcionais, não tendo grande destaque, coisa diferente do desenho de produção de Scott Chambliss ( Guardiões da Galáxia Vol. 2, Além da Escuridão - Star Trek ); que é inventivo, criando ambientes estilosos como a cidade-santuário habitada por Godzilla numa fossa submarina que remete a Lemúria e Atlântida, cheia de construções similares aos estilos gregos e babilônios, com atalhos para vários pontos do mundo pelo leito dos oceanos, entre outros ambientes colossais que ajudam a dar um bom background tanto para o lagartão quanto para os demais monstros sem fugir a suas histórias; a edição de Roger Barton, Richard Pearson e Bob Ducsay procura dosar as cenas de ação com momentos mais intimistas, mas o ritmo se torna arrastado (e olha que é ação quase o tempo todo), o que indica que se a metragem tivesse alguns minutos a menos, teria um formato redondo. 



Alpha dominante: King Ghidorah se mostra um oponente 
à altura na hegemonia entre os monstros...




A fotografia de Lawrence Sher (Se Beber, Não Case! e Godzilla) apesar de escura em muitas cenas que convenientemente são noturnas para não ser necessário um custo maior do CGI. Lawrence sabe explorar bem o contraste nas sequências das rajadas nucleares de Godzilla ou da bioluminescência de Mothra, linda por sinal. O design de criaturas é fabuloso agradando a criança que habita qualquer adulto. Que identificará de cara os Kaijus da sua infância e juventude apenas vendo a sombra de um deles como ocorre na maioria. Parabéns à equipe do supervisor de efeitos especiais de Guillaume Rocheron (As Aventuras de Pi, Godzilla ).
 

O Dr. Ishiro Serizawa (Ken Watanabe) é uma reformulação do 
personagem do filme de 1954, fazendo uma participação digna.
 


Ao final saímos até satisfeitos de Godzilla II: Rei dos Monstros  certos de que se o resultado não é perfeito, pelo menos sentimos que agora não deve haver volta, certos de que pelo menos nas telas, novamente os titâs caminham sobre a Terra, e portanto tal qual as formigas, devemos nos desviar de suas pisadas... Atentos aos pós créditos.


Tal qual Rock Balboa, ele apanha mas bate forte no final...


"E esta noite na UFC, a luta do século! O encontro
 de dois titâs das telas!!!"






Crítica - Filmes: O Rei Leão (2019)



"Digital "live action"



por Alexandre César 



 Remake da animação é tecnicamente impecável, e só...

 

Clássico imbatível: O original de 1994 e ses personagens inconfundíveis.

Em 1994 a Walt Disney Pictures entregava o 32° longa metragem de animação da casa, como prova da competência da gerência de Jefrey Katzemberg, que decidiu que o roteiro acrescentasse elementos que envolvessem a chegada da maturidade e da morte, e de suas experiências pessoais (dizendo sobre o filme: "É um pouco sobre mim mesmo" ). Dirigido por Roger Allers e Rob Minkoff,  O Rei Leão tornou-se um dos clássicos modernos da casa do camundongo, junto com A Pequena Sereia (1989), A Bela & A Fera (1991) e Alladin (1993) sendo um campeão absoluto, foi a maior bilheteria de 1994 e a segunda maior de todos os tempos, perdendo apenas para Jurassic Park - O Parque dos Dinossauros, e após o relançamento em 3D em 2011, chegou a 987 milhões de dólares em bilheterias ao redor do mundo, tornando-se a animação desenhada à mão de maior público e uma das maiores bilheterias da História do cinema. Seu sucesso levou a uma adaptação teatral na Broadway que está em cartaz desde 1997, ganhadora de 6 Tonys ( o maior prêmio do teatro musical), duas sequências feitas diretamente para o vídeo :  O Rei Leão 2: O Reino de Simba (1998) e O Rei Leão 3 – Hakuna Matata  (2004), e duas séries televisivas, Timão e Pumba (1995-1999) e A Guarda do Leão (no ar desde 2016) fora toda a sorte de bonecos, brinquedos e colecionáveis possíveis de se fazer.



O "DUELO" do ano: A expressão da animação versus a exatidão do fotorealismo...

Agora, passados 25 anos, a mesma Disney, no afã de criar uma nova legião de fãs para suas propriedades intelectuais e, visando fazer mais uma montanha de dinheiro segue com o processo iniciado com versões live-action ora revisitando como em Cinderela (2015), Mogli, O Menino-Lobo (2016),  
A Bela e a Fera (2017), Aladdin (2019), ora reimaginando o conceito de seus personagens como  Alice no País das Maravilhas (2010) Malévola (2014) e Dumbo (2019) trazendo os personagens numa roupagem de carne osso e CGI, mais sintonizada com um público fã de Blockbusters mas não muito chegado à animações, nos entrega essa nova visão da saga de Simba, filho de Mufasa, O Rei Leão (2019).


O prólogo reproduz quadro-a-quadro a animação, de forma obssessiva...

Dirigido por Jon Favreau (Homem de Ferro I & II de 2008 e 2010, e o remake de Mogli de 2016) o filme é visualmente espetacular, fruto de seu incrível trabalho de computação gráfica e captura de movimentos, recriando a paisagem africana com texturas cores, iluminação, tal qual foi feito no pioneiro Dinossauro (2000) em que todo o ambiente, além de seus personagens era criado digitalmente, e o que se usava de referência real era capturada, manipulada e ajustada para o contexto planejado. Numa evolução monstruosa do conceito do scaneia- recorta-remonta-reajusta-e-cola, criando mundos únicos, críveis, com uma verossimilhança relacionada a habitats conhecidos mas não identificados como algo existente. A total imersão no fotorrealismo, tirando as liberdades necessárias para fazer os animais falarem tem o seu bônus, pela total imersão no prólogo de abertura que recria quadro a quadro a abertura da animação, com cada elemento traduzido para elementos “reais” mas tem o seu ônus no fato de que por mais espetacular que seja o trabalho, há uma certa esquizofrenia em querer ser visto como uma nova obra, e julgada por seus próprios méritos, mas se referenciar em 90% de seu tempo e conteúdo à versão pregressa, causando uma certa estranheza passado o deslumbramento inicial.


Um personagen, Dois momentos: Simba filhote e adulto.


A estratégia de promoção do filme, visando a indicação para o Oscar de Melhor filme e não, Melhor animação (porque aí competiria e, perderia para Toy Story 4) é comercializá-lo como “live-action” mas, se tudo é computação gráfica, independente da qualidade da película, caímos no território da contradição e do debate do "o que é real” ou, qual o filtro que se utiliza agora para categorizar o ”real”. Mas deixemos isso para os filósofos e doutores do conhecimento e vamos ao filme...


Beyoncé, que sempre foi uma gata, agora como Nala adulta, foi promovida à leoa...


A trama é a mesma, apenas ajustando as situações para os parâmetros do que o que seria um filme realista com animais como intérpretes, que fossem capazes de falar como nós humanos. Portanto os números musicais embora belíssimos, não tem aquele aspecto de musical da Broadway ao qual estamos habituados, em que o ambiente se recria teatralmente durante a música, fazendo mais uso da edição, dos cortes, aliado aos enquadramentos fotográficos e assim regular a velocidade narrativa, ora rápida, ora mais mansa, de acordo com a música e a melodia.


Simba e Zazu: O fiel serviçal e o príncipe levado...


No quesito de escalação de vozes (tivemos acesso à versão legendada!) ocorre um dado interessante e similar ao da versão teatral que é o uso de intérpretes afrodescendentes para a maior parte do elenco, ficando assim J.D. McCrary como o jovem Simba e Donald Glover (Perdido em Marte, Han Solo - Uma História Star Wars) como Simba na sua versão adulta, Chiwetel Ejiofor (2012, 12 Anos de Escravidão, Doutor Estranho) como Scar, Shahadi Wright Joseph como Nala filhote e Beyoncé Knowles-Carter como Nala adulta, Alfre Woodard (Luke Cage) como Sarabi, a mãe de Simba, John Kani (Pantera Negra) como Rafki, James Earl Jones (a voz de Darth Vader de Star Wars) novamente como Mufasa, Florence Kasumba como Shenzi, a líder das hienas, Eric André e Kegan-Michael Key como as outras Hienas; e como únicos caucasianos temos John Oliver como Zazu, Seth Rogen como Pumba e Billy Eichner como Timão.


Scar: Diferente e até mais sinistro que na animação...


Devemos observar no roteiro de Jeff Nathanson (Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar, Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal ) um maior detalhamento na definição de alguns personagens como Scar, que com layout diferente do original (mas igualmente ou até mais) sinistro (na animação ele tinha uma juba negra, coisa muito rara entre os leões) e Sarabi, e deduzimos que a sua cicatriz foi decorrente de uma luta com Mufasa pela hegemonia do bando e pela disputa da fêmea que o perpetuasse (coisa bem comum entre animais), vindo daí o seu rancor.




Rafiki e Simba adulto: O mandril aqui não tem a postura "Sensei/ Mestre Yoda" do anterior.



Orçado em 250 milhões de dólares (sendo uma parcela significativa, o cachê de Beyoncé...) o filme foi inteiramente filmado em realidade virtual, com os profissionais executando todas as etapas da confecção do filme como o fariam no ambiente real, mas aqui, no ambiente digital, usando os óculos e luvas VR para interagir, posicionar ou alterar os elementos de cena, sendo um dos fatores para a grande verossimilhança do quadro geral o trabalho do diretor de fotografia Caleb Deschanel (Os Eleitos de 1983, A Paixão de Cristo de 2004) que define as palhetas de cor, luz, sombras, contraste, saturação e profundidade tal qual se a fotografia fosse feita no mundo real. A montagem de Mark Livoisi (O Diabo Veste Prada, Penetras Bons de Bico ) e Adam Gerstel (Além da Escuridão: Star Trek, Gigantes de Aço) estabelece o ritmo da narrativa fluidamente, ora acelerando nas cenas mais tensas, ora relaxando nos momentos mais tranquilos.


Trindade: O suricato, o leão e o facócero...



Hans Zimmer está de volta na trilha sonora, adaptando suas composições, hoje clássicas, ao atual gosto da plateia em termos de ritmo e melodia. Só não esperem Elton John cantando Circle of Life, agora cantado por Nants Ingonyama.


Simba, Pumbá e Timão: A lassidão do "Hakuna Matata"...


Quanto a dramaturgia, embora o trabalho de seus intérpretes seja correto, não há grande impacto em termos de empatia para com seus personagens além do esperado. Scar é um fascista que só quer usufruir ao máximo do poder, sem se importar com o impacto de suas ações na biosfera. Mufasa é um líder justo, severo, amoroso com os seus e zeloso de consumir só o necessário, Sarabi é uma mãe e rainha digna, serena e forte, Simba é o herói relutante, Nala a parceira fiel nas brincadeiras e mais tarde a companheira ideal, Zazu, o Típico mordomo/ diplomata inglês e Timão e Pumbá... são Timão e Pumbá. Ainda bem...


Scar & as hienas: Parceria de ocasião...


No cômputo final podemos dizer que a técnica é o aperfeiçoamento final e amadurecido do conceito de seriados como As Aventuras de Saturnino de Jean Tourane que usava animais amestrados como um patinho (o herói) e uma doninha (a vilã) e outros animais com carrinhos trajes e adereços dimensionados, dublados por atores, similar às aventuras do agente secreto Lancelot Link que usava chimpanzés como atores.


"As Aventuras de Saturnino" que passava no "Capitão Asa" usava animais
reais com adereços em escala.
 
As possibilidades faciais dos animais são limitadas em comparação à multiplicidade de expressões que os seres humanos são capazes, fora as limitações do treino e condicionamento dos mesmos para realizarem o que se espera para a cena, evitando maus-tratos e acidentes nos sets. Mas ainda sim, como os filmes da Pixar e da Dreamworks o mostram, as possibilidades da animação superam o fotorrealismo em explorar situações, expressões e dar vida ao que não encontraríamos no mundo real, tornando-o mais acessível à nossa identificação num maior grau de relacionamento. 



"Lancelot Link" Outro pioneiro no uso de animais como atores.

A garotada atual que não viu o filme de 1994 vai adorar esta versão, mas o dia que descobrirem a versão original, se tornarão fãs de carteirinha, e provavelmente daqui a 25 anos comemorarão o meio século da animação, lembrando vagamente que houve uma versão “live-action” que alguns anos após levantar uma montanha de dinheiro para o estúdio, desbotou, ficando mais como um modismo datado.



"-Prevejo uma bilheteria bilionária, e indicações para o Oscar.
O resto, é meio nebuloso na minha visão..."



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