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Resenha: Filmes e Séries Apocalípiticas -Parte 2




Escolha o seu Fim do Mundo - II


por Alexandre César


Pragas, pandemias e apocalipses zumbis 
 


Como vimos na parte anterior dessa série, nestes tempos de reclusão face à pandemia global do Novo Corona Vírus (COVID-19) com mais de 1 milhão de casos espalhados pelo Mundo, reflito sobre o conceito de “Fim do Mundosejam quais forem os seus nomes (Apocalipse, Ragnarok, Guerra Nuclear, etc...) e listei quantas vezes o cinema, e depois a TV e agora o streaming explorou este tema, refletindo cada qual os temores e fantasmas de sua época e momento econômico-cultural. Esta série não se propõe a esgotar o assunto, até porque obviamente no computo final muita, mas muita coisa mesmo ficou de fora, mas para fins didáticos procurei agrupar os “apocalipses”em temas, embora algumas vezes acabem mesclados, sendo que aqueles que com o sucesso iniciaram franquias, me limitarei a enumerar apenas o primeiro exemplar. Para facilitar coloco o links do verbete referente ao filme no IMDB (Internet Movie Data Base) e o do trailer no You Tube. Então, boa diversão e que superemos todos este momento de provação.

- Pragas & Pandemias:

 



 
Pragas, epidemias, Vírus, doenças e afins são algo recorrente na história da humanidade, tendo esta já enfrentado ao longo da história a peste negra, gripe espanhola, ebola, entre outras. Embora alguns filmes aqui não chegam a mostrar um apocalipse pleno, passam a ideia do que é enfrentar uma situação de contágio. Entre os vários temas, apresentamos aqui as 3 versões do livro seminal de Richard Matheson lançado em 1954 Eu Sou A Lenda que embora originalmente caracterizasse os infectados como vampiros, nas telas nunca foram retratados desta forma, o que leva a crer que um dia ainda veremos uma adaptação-raiz do romance...


Mortos que Matam (1964) de Ubaldo B. Ragona com Vincent Price. Robert Morgan, último homem sadio sobre a terra enfrenta humanos “zumbificados”, filme que inspirou George A. Romero para criar A Noite dos Mortos-Vivos.







A Última Esperança da Terra (1971) de Boris Sagal com Charlton Heston e Anthony Zerbe. Rosalind Cash. Robet Neville, cientista militar, imunizado por vacina contra praga mutante, enfrenta o culto fanático de Matthias, mutante anti-ciência. 



Eu Sou A Lenda (2007) de Francis Lawrence com Will Smith e Alice Braga. Numa isolada Manhattan, dominada por mutantes humanos infectados, Robert Neville, outro cientista militar, vive procurando a cura para a epidemia, escondendo-se à noite dos mutantes animalizados.




Pânico nas Ruas (1950) de Elia Kazan, com Richard Widmark, Barbara Bel Geddes, Paul Douglas. Médico e policial tem 48 horas para localizar um assassino infectado (Jack Palance) e impedir um surto de pneumonia em Nova Orleans. Filme noir dos bons.


A Mais Cruel Batalha (1970) de Cornel Wilde com Nigel Davenport, Jean Wallace, John Hamill. Numa Inglaterra devastada por uma praga que abalou a produção de alimentos, uma família procura sobreviver face ao colapso social, aprendendo a lidar com a lei do mais forte.


IMDB: https://www.imdb.com/title/tt0066154/?ref_=tt_sims_tt



O Enigma de Andrômeda (1971) de Robert Wise com James Olson, Walter Hill, Kate Reid. Um satélite com vírus alienígena cai na terra dizimando pequena cidade, e pesquisadores correm contra o relógio para achar a cura. Drama tenso, preciso, de ritmo lento mas realista, como só Robert Wise é capaz. Efeitos visuais de Douglas Trumbull (2001: Uma Odisséia no Espaço).




Gerou uma mini-série (2008) da A&E com Benjamin Bratt, Christa Miller, Louis Ferreira.



O Guerreiro do Futuro (1975) de Robert Clouse com Yul Brynner, Max von Sydow, William Smith. Em 2012, numa Nova York arrasada após uma praga dizimar a maior parte da vegetação, um botânico incumbe um guerreiro de proteger de gangue arruaceira as últimas sementes de vegetais comestíveis e a sua filha grávida, enquanto busca um lugar seguro. Detalhe: A recompensa do guerreiro é um estoque vitalício de charutos (Brynner morreria de câncer nos pulmões em 1985)...

 



A Travesssia de Cassandra (1976) de George Pan Cosmatos. Com Richard Harris, Sophia Loren, Burt Lancaster. Cinema-catástrofe produzido por Carlo Ponti em que um terrorista contaminado num laboratório da OTAN se esconde num trem e morre, levando as autoridades a conduzi-lo a uma local de quarentena que passa por uma ponte sem manutenção desde a 2ª Guerra Mundial (a “Cassandra” do título) e os passageiros lutam para desconectar os vagões antes da tragédia iminente. Este filme foi citado na matéria Filmes Ambientados em Trens.
 




Epidemia (1995) de Wolfgang Petersen com Dustin Hoffman, Renné Russo e Morgan Freeman. A possibilidade de uma epidemia se alastrar nos EUA mostra o choque entre pesquisadores e militares nas suas visões e formas de lidar com a questão.



Os 12 Macacos (1995) de Terry Gillian, com Bruce Willis, Brad Pitt, Madeleine Stowe. Epidemia, viagem no tempo e Síndrome de Cassandra se mesclam como só Gillian é capaz de fazer...



Gerou uma série no SyFy (2015 -2018) com 4 temporadas com Aaron Stanford, Amanda Schull, Noah Bean e um telefilme em 2016.



Contágio (2011) de Steven Soberbergh com Mat Damon, Gwineth Paltrow. Soderbergh acompanha alternadamente de forma documental a disseminação de uma epidemia e a luta de médicos, enfermeiros e cientistas para evitar o seu avanço.

A Batalha dos Mortos (2007) de Griff Furst com Mark Dacascos, Geoff Meed, Jennifer Lee Wiggins. Produção trash da Asylum, produtora famosa por fazer filmes “genéricos” de grandes sucessos, aqui, “baseado” em Eu Sou A Lenda, mesclando mutantes e artes marciais.





Ensaio Sobre a Cegueira (2008) de Fernando Meirelles, com Juliane Moore, Mark Rufallo Danny Glover. Fábula baseada em obra de José de Saramago, onde uma epidemia que deixa a todos cegos, sendo que a degradação física e moral de seus personagens reflete o colapso da civilização.









Vírus (2009) de Aashiq Abu, com Parvathy Thiruvothu, Tovino Thomas, Madonna Sebastian. Aclamado thriller médico indiano (falado em malaio) retratando os bastidores de uma epidemia real ocorrida em 2008 no estado indiano do Querala, balneário paradisíaco. Cenas fortes que fazem pensar.









Vírus (2009) de David & Alex Pastor com Chris Pine, Piper Perabo, Lou Taylor Pucci. Uma epidemia mortal leva os indivíduos à atitudes cruéis e egoístas pelo medo do contágio. Indicado para aqueles que acham que os pobres, os miseráveis e os idosos devem ser deixados para trás em nome da economia e do “Bem Maior”...



A Epidemia (2010) de Breck Eisner com Radha Mitchel, Timothy Olyphant, Danielle Panabaker. Refilmagem de um clássico de Romero (O Exército do Extermínio de 1973) Após um acidente de avião liberar um vírus tóxico que infecta uma comunidade rural com uma febre que torna as pessoas homicidas, um casal à luta pela sobrevivência no meio da quarentena.

A Gripe (2013) de Sung-su Kim, com Hyuk Jang, Soo Ae, Roxanne Aparicio. Filme sul coreano para lá de contundente, onde uma cidade-satélite de Seul é tomada por uma epidemia, sendo sitiada pelo governo para conter o contágio, num final chocante.




Ao Cair da Noite (2017) de Trey Edward Schults. Com Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo. Terror psicológico regado a isolamento, claustrofobia, falta de privacidade e o medo do desconhecido numa situação-limite onde duas famílias dividem o mesmo espaço numa casa isolada nas montanhas, depois que uma pandemia desconhecida começou a devastar o mundo.


Helix (2014-2015) série do SyFy em 2 temporadas criada por Cameron Porsandeh, com Billy Campbell, Kyra Zagorsky, Mark Ghanimé. Atrama se passa no Ártico, numa base de pesquisas científicas da ILARIA, envia um pedido de socorro e cientistas do CDC (Centro de Controle de Doenças), são convocados para conter um surto causado por um vírus destruidor até então desconhecido. Isolados no meio do nada, cercados de gelo e em quarentena, os sobreviventes são obrigados a colaborar entre si, para permanecer vivos, emergindo segredos que podem mudar a vida de todos, enquanto mortes e conflitos internos entre os personagens se estabelecem em um clima de tensão.






- Apocalipses Zumbis:

 


"- Moço, tem pão duro ou cérebro aí???"

 
Aqui temos a maior quantidade de produções, tendo havido um crescimento do número de filmes desde a crise econômica de 2008, sendo os mortos-vivos a perfeita materialização do medo que a sociedade de consumo neoliberal, tem das classes mais pobres, pois ao virar zumbi, o indivíduo passa a só se preocupar com a sua fome insaciável e só, e como zumbis são uma perfeita alegoria sobre o fim da civilização, da ordem social, de tudo, pois zumbis são feios, maltrapilhos, sujos, não têm liderança ou hierarquia, atropelando tudo pela frente sem se importar com classe social, ou seja: O maior horror para o capitalismo é empobrecer!


A Noite dos Mortos-Vivos (1968) de George A. Romero com Duane Jones. Judith O´Dea, Karl Hardman. Grupo heterogêneo se fecha numa casa, tentando evitar o avanço dos zumbis. Claustrofóbico debut de Romero que como ninguém soube enxergar os zumbis como metáfora da sociedade, reformulando o gênero, discutindo, abuso, racismo e xenofobia. Esse filme é o 1º que desliga totalmente os zumbis de sua origem no imaginário popular, antes desse filme zumbis eram criados por magia, uma pessoa em transe profundo, passando a ser algo associado à pragas.


IMDB: https://www.imdb.com/title/tt0063350/?ref_=nv_sr_srsg_2


A Volta dos Mortos-Vivos (1985) de Dan O´Bannon com Clu Gulager, James Karen, Don Calfa. O´Bannon homenageia o clássico de Romero, com momentos hilários e escatológicos. Imperdível.





Resident Evil: O Hóspede Maldito (2002) de Paul W.S.Anderson com Mila Jovovich, Michelle Rodriguez, Ryan McCluskey. Inaugurou uma franquia lucrativa (até o momento 6 filmes, fora os derivados) baseado no famoso videogame, criando uma fórmula muito copiada, tornando Mila Jojovich, como a invencível Alice no ícone de uma geração, e de fato ela é.




Extermínio (2002) de Danny Boyle com Cillian Murphy. Naomi Harris, Brendan Gleeson. Ativistas ecológicos ao invadirem laboratório, se infectam com as cobaias de variante do vírus da raiva, disseminando a pandemia sobre a Inglaterra e além, e salve-se quem puder...



Madrugada dos Mortos (2004) de Zack Snyder com Sara Polley, Ving Rhames, Mekhi Phifer. Snyder refilma Despertar dos Mortos (1978) de Romero em grande estilo, onde sobreviventes se fecham num shopping center durante um apocalipse zumbi, lidando com os desafios da sobrevivência.



Guerra Mundial Z (2013) de Marc Foster com Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz. Especialista da ONU corre pelo mundo (e contra o tempo) para encontrar um modo de conter a virulenta praga de zumbis que aqui agem como formigas, fazendo ondas de ataque e pontes com os próprios corpos.



Invasão Zumbi (2016) de Sang-ho Yeon , com Yoo Gong, Yu-mi Jung, Dong-seok Ma. Um trem-bala vai de Seoul a Busan quando explode um apocalipse zumbi, levando os passageiros à uma luta desesperada pela sobrevivência enquanto toda a civilização vai ruindo numa viagem de horror sem escalas. Ação vertiginosa e violência gráfica aliada ao exagero dramatúrgico típico da filmografia sul-coreana. Impactante.




A Noite Devorou o Mundo (2018) de Dominique Rocher, com Anders Danielsen Lie, Golshifteh Farahani, Denis Lavant. No dia seguinte a uma festa, um jovem acorda e se dá conta de que Paris foi invadida por zumbis e o mundo virou de ponta cabeça. Uma alegoria sobre a solidão e a inadequação social dos indivíduos.



TV:


The Walking Dead (2010 até agora) 10 temporadas. Série da AMC criada por Frank Darabont e Angela Kang com Andrew Lincoln, Norman Reedus, Melissa McBride. Crônica de sobrevivência de um grupo num mundo decadente, infestado por mortos-vivos, onde os homens são o perigo real e imediato.





Fear the Walking Dead (2015 até agora) 6 temporadas. Série criada por Dave Erickson e Robert Kirkman com Cliff Curtis, Kim Dickens, Lennie James. Derivado de The Walking Dead em que acompanhamos um núcleo familiar liandando com o declínio da civilização face ao avanço dos zumbis.




Kingdon (2019 até agora) 2 temporadas Série sul-coreana criada por Kim Eun-Hee e dirigida por Kim Seong-Hun para a Netflix, com Ji-Hoon Ju, Doona Bae, Kim Sungkyu. Durante a dinastia Joseon (1392-1897) acompanhamos os desafios do príncipe Lee Chang, durante uma epidemia que devasta o reino, pondo a sua capacidade à prova. Visual elaboradíssimo, artes marciais, luta de classes e intrigas políticas dignas de Game of Thrones, como só os coreanos sabem fazer.


E então, gostou da resenha? Aguarde o próximo capítulo quando daremos sequência a outras formas de Fins do Mundo. Cuidem de vocês e dos seus enquanto isso. Até, pois viver é preciso...
"- Circulando, circulando..."



Crítica: Star Trek: Picard - 1ª Temporada



O herói crepuscular e o dragão da distopia

 

por Alexandre César


Série desigual, com potencial ainda não atingido

 


Legado: Tendo surgido em 1987, "Star Trek: A Nova 
Geração " somente firmou-se na terceira temporada, 
atingindo seu pleno potencial...


Verdadeira face dos princípios éticos e morais da Frota Estelar, Jean-Luc Picard (Sir Patrick Stewart, como sempre ótimo, seja em cenas bem ou mal-escritas) desde o longínquo ano de 1987 quando fomos apresentados ao capitão francês (homenageando Jaques-Ives Costeau) no piloto Encontro em Farpoint da série Star Trek: A Nova Geração (quando a franquia Star Trek ainda era chamada aqui de Jornada na Estrelas).

"Star Trek: Nêmesis" (2002). O último filme da série 
tem ligação com os eventos da temporada...

Rapidamente o intelectual firme de cultura erudita firmou-se como o maior pilar do humanismo no universo ficcional criado por Gene Rodenberry, pois se comparado com seus colegas, Jonathan Archer (Star Trek: Enterprise) era quase um corsário rumando por mares nunca dantes navegados; James Tiberius Kirk (a Star Trek original) ora era um capitão estilo “Mestre dos Mares”, ora era um xerife digno de qualquer farwest; Benjamin Sisko (Star Trek: Deep Space Nine) era um líder político pragmático, capaz de tomar decisões indigestas e conseguir dormir o sono dos justos e, Kathryn Janeaway (Star Trek: Voyager) era uma comandante isolada num lugar distante e hostil, só podendo contar com os recursos de sua nave e com a habilidade de sua equipe, tendo que lidar com situações fora das regras do manual. Não havia dúvidas. Comparado a ele, agora apenas vislumbramos uma sutil equivalência na finada Phillipa Georgiu (não é a imperatriz!!!) e no pioneiro Christopher Pike (Tanto ela quanto ele em Star Trek: Discovery) em seus respectivos perfis.

14 anos depois reencontramos o velho e 

amargurado líder, com seu cachorro...

Criada por Kirsten Beyer, Michael Chabon, Akiva Goldsman e Alex Kurtzman e produzida pela CBS (aqui veiculada pela Amazon Prime Vídeo) Star Trek: Picard traz o veterano e agora almirante reformado Jean-Luc Picard tendo que lidar com os desafios da idade (mesmo que devamos supor que com os avanços da medicina a longevidade humana deve ter sido bem prolongada no século 24...) e a sensação de que o mundo (aqui, o universo) não precisa mais dele, relegando-o ao ostracismo e à contagem regressiva final e assim, a série carrega o fardo de mixar a continuidade de A Nova Geração (Data havia perecido em Star Trek: Nêmesis de 2002, dirigido por Stuart Baird) à linha temporal de Star Trek (2009) de J.J.Abrams (Star Wars: A Ascensão Skywalker) onde a estrela-natal de Romulus torna-se uma supernova e destrói a sede do Império Romulano. A partir disso surgem os acertos ao honrar personagens queridos da série e erros ao muitas vezes se render ao Fanservice, embora mostrando um potencial não plenamente atingido nesta temporada.

Deu Ruin... O almirante Jean-Luc Picard (Patrick Stewart)
 e sua Imediato Raffi Musiker (Michelle Hurd) tentam coordenar
 a evacuação Romulana, o que o leva a uma jogada arriscada.

Picard carrega a culpa de não ter conseguido evacuar mais romulanos quando o sol de seu sistema se tornou uma supernova pois ele organizou uma frota de 10 mil naves para resgatar 900 milhões de refugiados. (comparado à retirada de Dunquerque*) uma sabotagem ocorrida no complexo de docas espaciais Utopia Planitia**em Marte provocou um mega-desastre e levou a Frota Estelar a cancelar o resgate e proibir a fabricação de formas de vida sintéticas, o que fêz Picard ameaçar sair pois a Frota Estelar estava renegando os seu valores. A Frota aceitou a sua saída e ele, frustrado, foi cuidar do vinhedo da família em Chateau Picard, França.

"Canivete suíço": Laris (Orla Brady) e Zhaban (Jamie 
McShane), os criados romulanos de Picard 
que são pau-para-toda-obra...

Assim, quatorze anos depois o velho almirante rompe o silêncio numa entrevista bombástica a uma repórter que gosta de cutucar a ferida (Merrin Dungey de Big Litlle Lies) e irritado argumenta que “a Frota Estelar não era mais ela mesma”, lhe criando uma polêmica prejudicial, e dias depois, ao passear pelo vinhedo na companhia de Imediato, seu cão (um belo e amoroso pitbull, ou aparentado) ele é abordado por Dahj Asha (Isa Briones de American Crime Story) moça misteriosa, na verdade uma andróide feita a partir da matriz positrônica de Data (Brent Spiner de Star Trek: A Nova Geração) que diz lembrar-se dele e que está sendo caçada por agentes romulanos.

Picard conhece a androide Dahj Asha (Isa Briones),
a "filha" de Data...

Sua presença e posterior morte o leva a descobrir uma ação secreta de Tal Shiar, a polícia secreta romulana e, mais adiante graças ao seu casal de criados Laris (Orla Brady de Into the Badlands) e Zhaban (Jamie McShane de Argo), refugiados que ele acolheu. Com vasta experiência na área de inteligência militar (a ótima dupla de atores têm uma grande equivalência com Allfred Penworth, o mordomo do Batman) os dois levantam os métodos de ações do Zhat Vash, o que seria o “núcleo duro” do Tal Shiar, e que tem como agenda eliminar toda e qualquer forma de vida sintética, como o fazem com Dahj, que em momentos de perigo revela suas habilidades de combate pré-programadas, estando suas feições num desenho que o finado Data havia lhe dado anos atrás, lhe aparecendo em sonhos recorrentes. Analisando as mensagens de Dahj ele descobre existir uma andróide gêmea, a quem precisa proteger.
 
Alm. Kirsten Clancy (Ann Magnuson) enquadra Picard, 
que saiu por "nobres ideais", enquanto ela teve de 
ficar e lidar com a dura realidade prática...

Picard, consegue que seu amigo, o Dr. Moritz Benayoun (David Paymer de Entre Realidades) considere-o apto para o serviço interestelar (a despeito de sua condição) e após receber um esporro (o primeiro de vários ao longo da temporada...) da Alm. Kirsten Clancy (Ann Magnuson de O Homem do Castelo Alto) que lhe nega ajuda em sua busca, decide sair por conta própria, recrutando uma equipe de desgarrados que incluem Raffi Musiker (Michelle Hurd de Máquina Mortífera) ex-oficial da Frota Estelar e sua antiga imediato, com vários traumas em sua vida pessoal, similar ao Capitão Cristóbal Rios (Santiago Cabrera de Salvation) cuja nave La Sirena podemos dizer que é quase a Millennium Falcon da equipe, e conta com um grupo de hologramas de manutenção em cada área (médica, engenharia, comunicações...) cada um refletindo uma parcela de sua personalidade. 

Infiltradas: A Ten. Narissa (Peyton List) e a Comodoro
 Oh (Tamlin Tomita) na verdade são agentes
 da inteligência romulana...
Prestar contas: Picard vai ao assentamento de refugiados
 romulanos explicar a Zani (Amirah Vann) a sacerdotiza do 
Qowat Milat o porquê da sua ausência de 14 anos...

Ao grupo se unem a Dra. Agnes Jurati (Alison Pill de Scott Pilgrin Contra o Mundo) pesquisadora de Inteligência Artificial, que inicialmente parecia ser uma personagem “bobinha”, tipo alívio cômico como a Sylvia Tilly de Star Trek: Discovery mas revela momentos bem dramáticos, e por fim Picard, reconhecendo a sua vulnerabilidade, recruta num assentamento romulano, Elnor (Evan Evagoria de A Ilha da Fantasia) guerreiro (com visual meio elfo / samurai) criado pelas Qowat Milat, “freiras” adeptas da “Franqueza Total” (forma de lidar com tudo sem “mentirinhas” e hipocrisias) que aceita após defendê-lo de mais uma sessão de humilhações de refugiados descontentes (parece que na virada do século XXIV para XXV os idosos continuam sendo destratados do mesmo jeito...), surgindo num momento de dificuldades Sete de Nove (Jeri Ryan de Star Trek: Voyager) agora patrulheira de um grupo rebelde do setor pois a Zona Neutra virou uma “Terra de Ninguém” com o colapso do Império Romulano, pululando grupos que controlam zonas de influência (como o tráfico e as milícias aqui no Brasil).

Restrições: Sai a imponente Enterprise, e entra a 
compacta La Sirena, menor mas funcional...

El Hombre!!! O existencialista Capitão Cristóbal Rios 
(Santiago Cabrera) é o piloto da La Sirena...

Reunida a trupe, eles saem em busca da Dra. Soji Asha (Isa Briones) que trabalha com Hugh (Jonathan Del Arco de Star Trek: A Nova Geração) o ex-borg (chamados XB) que agora dirige o projeto de estudos do “Artefato”, um Cubo Borg desativado, iniciativa independente de membros da Federação com o Governo Romulano e lá se envolve com Narek (Harry Treadway de Penny Dreadful) agente Tal Shiar, tal qual sua irmã Narissa (Peyton List de Gothan), agente infiltrada na Frota, subordinada à Comodoro Oh (Tamlin Tomita de O Homem do Castelo Alto) oficial Tal Shiar (e do Zhat Vash), sendo uma mestiça de romulana com vulcana, infiltrada na Frota (Agora temos de reconhecer que a Alm. Clancy é quem devia ir para a reserva pois ter uma agente romulana infiltrada no Alto Comando da Frota é dose, isto a Seção 31 jamais deixaria passar...).

Romulano-Ninja: Criado pelas Qowat Milat, Elnor
 (Evan Evagoria) se torna o guarda-costas de Picard.
Retorno bem-vindo: Sete de Nove (Jeri Ryan) retorna
 armada e perigosa em grande estilo...

Assim vão surgindo novos personagens e, ressurgindo rostos familiares como o Dr. Bruce Maddox (John Ales de Euphoria) que pesquisou a fundo a matriz positrônica de Data, sendo cativo no sistema Alpha Doradus pela traficante Bjayzl (Necar Zadegan de Masters of Sex) a líder do mercado negro de componentes borg, Zani (Amirah Vann de No Limite) a sacerdotiza da Qowat Milat, que criou Elnor e, fechando com chave de ouro, William T. Riker (Jonathan Fakes),e Deanna Troy (Marina Sirtis) agora morando no paradisíaco planeta Nepenthe com sua filha Kestra (Lulu Wilson de Jogador Nº1) filha do casal, tendo ele, que foi o maior associado do velho comandante , a melhor participação (ainda que breve) no último episódio, além de se revelar um bom cozinheiro fazendo pizzas de coelho-unicórnio no seu forno à lenha...

A Zona Neutra virou um grande "farwest", com facções 
usando espólios do antigo Império Romulano, 
como antigas "aves de rapina"...
Em Stardust City, os figurinistas e os atores se permitiram
 um tom mais cartunesco, próximo a episódios da série clássica...

Complementando a trama, Narissa e Narek são sobrinhos de Ramdha (Rebecca Wisocky de The Purge) ex-borg (XB) romulana, que num ritual vislumbra Soji como a “a Destruidora de Mundos”, um mito que permeia a repulsa dos romulanos por qualquer forma de vida sintética, ficando com sua sanidade abalada, e enquanto os romulanos preparam o seu ataque Picard e Cia. Chegam ao planeta Coppelius, onde travam contato com o Dr. Altan Inigo Soong filho do Dr. Soong (Brent Spiner) e Sutra (Isa Briones) outra sintética que perdeu a sua gêmea e mais desdobramentos seguem mas já falei muito do desenrolar da história...

A Dra. Soji tem um relacionamento com Narek 
(Harry Treadway) agente do Tal Shiar, que a usa.

O "Artefato" é reativado por Sete de Nove, mostrando 
rapidamente o seu potencial bélico, mas fazendo pouca coisa...

De forma desigual a série vai levantando questões pertinentes ao momento atual como a xenofobia, o abandono, a mortalidade humana e a indiferença do ocidente à questão dos refugiados e, diferente de A Nova Geração cuja visão utópica não funciona muito hoje em dia, Picard é do seu jeito torto, a série mais atual do Universo Trek, versando sobre o fim do otimismo, o fim da Utopia, mas não sobre o fim da esperança e, diferente de Discovery, não tenta ser Star Trek para os novos tempos, não criticando ou desconsiderando o passado, embora não viva nele, apesar da música de Jeff Russo (Altered Carbon) sublinhar os momentos mais emotivos, principalmente aqueles protagonizados por Picard com personagens de Star Trek: A Nova Geração ora repaginando os temas de Alexander Courage e Jerry Goldsmith ou criando temas mais lúdicos como na relação dele na infância de Elnor, como um avô amoroso, alternando com acordes mais convencionais nas cenas de ação, acompanhando a edição de Andrew Coutts (Star Trek: Discovery), Steve Haugen (Krypton) e Sarah C. Reeves (Gothan).

Hugh (Jonathan Del Arco) o ex-borg dirige o Projeto Artefato"...
O design da comunidade de sintéticos do planeta
 Coppelius é bem clean, solar.

A fotografia de Philip Lanyon (Frontier) e Darran Tiernan (Westworld) alterna tons mais quentes e coloridos como os do Cahteau Picard ou da residência de Riker,Deana e Kestra com outros mais escuros e expressionista como os do Cubo Borg ou frios como o do laboratório onde o ex-borg Icheb (Casey King de NCIS: Los Angeles) é trucidado, em cenas de violência gráfica digna de Jogos Mortais e os tons neon de Stardust City, no melhor estilo dos cassinos de Las Vegas, onde os figurinos de Christine Bieselin Clark (Into the Badlands) se permite ser cartunesco, dentro do espírito do episódio, contrastando com os demais, que é funcional além de revisitar bem os uniformes da Frota Estelar do Séc. XXIV.


Narek e Narissa são irmãos, e parecem ter uma 
relação meio ambígua...
As "Orquídeas" que envolvem naves e as levam para
 a superfície são soluções visuais interessantes
 que poderiam ser melhor aproveitadas...

 Refletindo o alto nível técnico da temporada, o desenho de produção de Todd Cherniawsky (Cemitério Maldito) aliado à direção de arte de Iain McFadyen (O Chamado da Floresta), Louis Joseph Comeau IV (Scorpion) Dylan Bocanegra (Adé) e a decoração de sets de Lisa Alkofer (The Walking Dead) cria espaços diversos e ricos como o Chateau Picard que mescla o mobiliário e a decoração tradicional com os equipamentos modernos como sintetizadores de comida, comunicadores e drones e irrigação, além de sutis easter-eggs do universo treker,como veículos vistos em Star Trek: Discovery em funções mais cotidianas como táxis ou transporte escolar, além de cenários high-tech como o Cubo Borg, de inclinação expressionista, apesar de outras soluções serem bem questionáveis, como a “antena” da base dos sintéticos cujo design deixa a desejar, e da mesma forma que os efeitos visuais da Craft Apes, Double Negative (DNEG), Filmworks / FX, Pixomondo são de ótima qualidade, apesar de na cena da “batalha” final (que foi mais uma confrontação) a frota da federação ser basicamente o mesmo modelo de nave replicado várias vezes, perdendo variedade e sua credibilidade.

Reunião de família: Will Ricker (Jonathan Frakes) e
 Deanna Troy (Marina Sirtis) reencontram o velho amigo...

Equipe: A Dra. Agnes Jurati (Alison Pill) e o Dr. Altan
 Inigo Soong (Brent Spiner) dão prosseguimento ao trabalho
 do Dr. Soong original e de Bruce Maddox...

Ao final Star Trek: Picard é desigual mas como o bom elenco segura as pontas mesmo com roteiros nem sempre bem escritos, ficamos com a vontade de dar mais uma chance ao velhinho turrão, que aqui acaba estruturando um grupo não ligado à Frota Estelar, e que de certa forma lembra a dinâmica do clássico Doctor Who e seus companions e, procurem uma melhor consultoria a nível de ciência (porquê um sistema solar com OITO SÓIS é de doer, imaginem o caos de calor, radiação e forças gravitacionais capazes de fragmentar qualquer planeta, além de outras coisas...).

Clichê: Sutra e Soji são a "Gêmea do Mal" e a "Gêmea do Bem"...

Se Kurtzman, Goldsman e Cia. Aprenderão com esta temporada, cruzemos os dedos, afinal é consenso do fandon de que a 1ª temporada de Star Trek: A Nova Geração foi a mais fraca de todas...

"-Imediato, coloque esse velho nerd para correr!!! Pega! Pega!"

*A Retirada de Dunquerque foi um esforço conjunto do governo e do povo britânico em 1940, quando mais de 300 mil soldados ingleses ficaram encurralados na França, face ao vanço nazista. Respondendo ao chamado de Winston Churchil uma frota organizada às pressas conseguiu 800 barcos, a maioria da população civil, que enfrentando o fogo inimigo atravessaram o Canal da Mancha para trazer de volta os soldados.Esse episódio histórico é retratado no filme Dunkirk.


** Utopia Planitia era a principal rede de docas espaciais da Frota Estelar, sendo mostrado na série a ação de F8 (Alex Diehl de Strange Angel) um sintético (entre outros) hackeado pelo Tal Shiar que destruiu matando os operários humanos e iniciando a destruição do complexo no feriado do Dia do Primeiro Contato (quando os humanos fizeram contato e estabeleceram relações diplomáticas com os vulcanos, que foi o primeiro passo para a Federação do Planetas Unidos.)





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