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Crítica - Séries: Jessica Jones – 3ª Temporada



O que te faz herói (e) ou vilão(?)...

 

por Alexandre César 


Série se despede levantando questões pertinentes


Nas quebradas da vida Erik Gelden (Benjamin Walker) 
conhece Jessica Jones (Krysten Ritter) e bebe daqui, bebe dali...

E chegamos ao final da parceria Marvel/ Netflix agora na inesperada (e derradeira) 3ª temporada de Jessica Jones, que junto com Demolidor se tornam as únicas séries da casa das ideias na plataforma que conseguiram completar três temporadas. Um feito e tanto apesar de todos os incidentes de percalço.

Trish Walker (Rachael Taylor) e a sua versão dos quadrinhos Hellcat. 
Há uma cena citando o uniforme no segundo episódio...


A heroína desbocada, beberrona e adepta do sexo casual nunca foi (embora sua série Alias, escrita por Brian Michael Bendis, fosse aclamada, obtendo um público fiel) dentro da casa das ideias uma personagem muito famosa, ao contrário de outros personagens do segundo time da editora como seus colegas de microverso urbano Demolidor, Luke Cage, Justiceiro ou até Punho de Ferro sendo de certa forma, em que pese a sua abordagem noir, o corpo estranho do pacote, vencendo muitos desafios fosse nos quadrinhos, fosse na audiência do streaming, chegando ao fim de forma agridoce, seja pela trama seja pelas dificuldades dos bastidores.

Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss) dá uma oportunidade a 
Malcolm Ducasse (Eka Darville). O preço módico: Sua alma...

A pegada de lidar com superpoderes numa escala mais humana, onde seus grandes vilões, ao invés de destruir o mundo, representam o crime em sua forma cotidiana, aquela capaz de afetar de forma direta e visível a vida de cada um de nós, espectadores, foi o que garantiu o sucesso.desta empreitada, agora finalizada uma vez que em breve a Marvel irá produzir conteúdo para o futuro serviço de streaming da Disney, daí a descontinuação desta parceria com a Netflix.

Malcolm faz o que Jeri lhe manda fazer, evitando 
olhar a moralidade de seus atos...

Nesta temporada Jessica Jones (Krysten Ritter, cativante como a antipática e pessimista detetive) faz um acerto de contas com o passado, retomando o tema que permeou toda a série, discutindo os diferentes conceitos de moralidade que a protagonista precisa encarar ao longo de suas investigações. Isso porque nas aventuras anteriores o trauma gerado por Killgrave, o Homem-Púrpura (David Tennant) e o drama envolvendo a sua mãe ditavam os rumos da narrativa. Mas agora, o roteiro foca o tempo presente, pois seguindo o desenlace da temporada anterior, Trish Walker (Rachael Taylor, surpreendendo) após matar a mãe biológica de Jessica e descobrir suas habilidades advindas da cirurgia que a colocou em coma, começa a trilhar o caminho que a tornaria a Gata do Inferno (Hellcat no original) dos quadrinhos.

Gregory Sallinger (Jeremy Bob) o vilão da vez odeia
 visceralmente todo super-humano.

Embora na nona arte ela seja uma heroína que chegou a fazer parte dos Vingadores (da Costa Oeste, e não os originais), no seriado ela está decidida a ser uma vigilante fria e pragmática (abandonando o seu lado “Patsy” de mulher famosa e ex-atriz mirim traumatizada pelo início precoce no show business que aqui ganha a vida num canal de vendas tipo Polishop) que acredita estar fazendo o bem ao matar criminosos que a lei não deteve, algo nos moldes do Justiceiro, entrando aí no debate legal: Quando se trata de supostos heróis que decidem caçar ladrões comuns, a discussão jurídica se torna muito mais complicada. Afinal, os melhores vilões sempre encontram uma razão para justificar as suas ações, e o que os torna vilões é o fato de que essas ações são condenáveis independentemente de qualquer justificativa. Exceto em casos de legítima defesa, é necessário que a Lei condene agressão física; e mesmo em legítima defesa cabe se condenar excessos.

Sallinger usa de seu intelecto para de toda forma colocar
 Jessica na berlinda, forçando-a a decisões difíceis...

Então, com seres superpoderosos vagando pelas ruas, o que diferencia esses heróis de qualquer vilão? Com esse confronto entre irmãs, com Trish, disposta a tomar as decisões que Jessica sempre receou confrontar, estabelecendo as novas dinâmicas em seu relacionamento, e nesse conceito ambíguo de moralidade que reside a maior força da temporada final de Jessica Jones, que acerta em cheio ao retomar o que criou o sucesso da série em sua estreia. Não há combates grandiosos, nem cenas de ação frequentes, nem mesmo uma ameaça capaz de colocar centenas de pessoas em risco. Jessica Jones voltou a ser uma série de investigação que discute a moralidade dos vigilantes, o limite da ação policial e a necessidade de confiar na Justiça. E é nessa temporada, mais do que em qualquer outra do microverso Marvel/Netflix, que essas questões ganham maior relevância. A entrada de um personagem como Erik (Benjamin Walker), por exemplo, que é capaz de “sentir” a “maldade” dentro das pessoas, proporciona argumentos interessantes como a definição de moralidade baseando-se em remorso ou consciência. E nunca deixamos de empatizar com a protagonista em sua cansativa jornada para ser uma “heroína” (ainda que ela nunca queira admitir seus esforços).

O "Lado Patsy": Grace (Jessica Francis Dukes) e 
Trish vendem quinquilharias na TV. "- LIGUE JÁ!!!"

Malcolm Ducasse (Eka Darville) cresce na companhia de advocacia de Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss, bela e gélida na medida) embora se ressinta das implicações morais de seu trabalho. Jeri, já sucumbindo aos sintomas iniciais da E.L.A. (Esclerose Lateral Amiotrófica, a síndrome degenerativa de Stephen Hawking) como mostra de sua luta obstinada contra a doença e de ter controle sobre a sua volta, retoma um relacionamento com uma antiga paixão, manipulando tudo e todos relacionados a Kith lyonne (Sarita Choudhury) sem medir consequências, que cobram o seu preço.

Dorothy Walker (Rebecca De Mornay): a obstinada 
e manipuladora mãe de Trish e sua busca do estrelato...

Embora esta terceira temporada de Jessica Jones seja essencialmente, uma história sobre Trish Walker mostrando o quão importante a sua presença na vida da investigadora (inclusive tendo alguns episódios recontando passagens anteriores sob a perspectiva de Trish) as duas irmãs-agora antagonistas - têm que - mesmo que contra suas vontades - unir forças para enfrentar um novo vilão cruel e ardiloso, retomando brevemente a dinâmica de perseguição apreensiva da primeira temporada.

O detetive Eddy Costa (John Ventmiglia) troca informações
 com Erik para facilitar o seu trabalho e diminuir a ficha dele...

Gregory Sallinger (Jeremy Bob, assustador) se revela um vilão arrogante e desagradável, sem o charme ou a imposição de Killgrave, mas se impõe como um mix de Moriarty (inimigo de Sherlock Holmes) e Hannibal Lecter, criando obstáculos suficientes para tornar o meio da temporada, bem mais envolvente, tendo em vista seu ódio contra pessoas aprimoradas como elas, o serial killer usa o seu intelecto para tornar um inferno a existência de Jessica, já que as dúvidas de Jessica em relação ao seu papel de heroína serão ampliadas pois tanto Trish (a irmã) quanto Salinger (o vilão) são indivíduos cheios de certeza, que acreditam no propósito de sua missão e justificam suas ações, sendo Trish e Salinger, os dois lados da mesma moeda, opostos apenas pelos fins que almejam, tornando a série na disputa pela alma de Trish, cuja jornada se torna essencial para a discutir o vigilantismo e a necessidade dos sacrifícios que definiriam um “herói”...

Jeri na tentativa de reconquistar Kith Lyonne (Sarita 
Choudhury) ao fim descobre que "quem tudo quer..."

A fotografia contrastada de Manuel Bille e Petr Hlinomaz, a trilha sonora sombria de Sean Callery, e a narração deprimente da protagonista, se mostram eficazes para manter a atmosfera noirda série consistente e distinguível, revelando o potencial da série para tal qual O Justiceiro ser viável fora das adequações ao estilo do Universo Marvel. Em que pesem as referências ao universo dos comics (o próprio vilão possui uma versão nos quadrinhos), tais elementos estão longe de ser o prato principal da série neste terceiro ano.

Dor de Cabeça (literal): Erik ajuda Jessica com o
 seu poder de sentir "o mal das pessoas"...

Por fim, em sua despedida Jessica Jones cresce e amadurece, dando um fim digno à parceria Marvel/Netflix, além de dividir os holofotes com Trish Walker, discutindo os limites entre a responsabilidade dos poderosos e a necessidade de seguir a lei, um tema que ressoa em todos os arcos desenvolvidos nessa personagem que sempre caminhou pelas zonas cinzentas da legalidade, mas é aqui nesta terceira temporada que esta questão ganha o primeiro plano. Em que pesem as barrigas narrativas (os malditos 13 episódios obrigatórios do formato) o elenco brilha construindo relações impactantes e, fazem a temporada extremamente satisfatória, fora as participações vindas de outras séries-irmãs do universo de Os Defensores, que dá a vontade de acompanhar por mais tempo esses personagens além da investigadora particular em sua jornada, mostrando, mais uma vez, que é a melhor no que faz. Nada mal para aquela que poderia ser a “Rê Bordosa*da Marvel.

Mandando para a "Balsa" ** : Luke Cage (Mike Coulter) aparece 
para aconselhar Jessica quanto a necesssidade de deter Trish...

* : Personagem do quadrinista Angeli das revistas underground Chiclete com Banana 
 ** : Prisão especial para criminosos super-poderosos, que aparece nos quadrinhos no desenho animado Os Vingadores: Os Super Heróis mais Poderosos da Terra e também no filme Capitão América: Guerra Civil (2016) dos Irmãos Russo

Crítica - Filmes: A Grande Mentira




171, entre outros números...

 

por Alexandre César


Hellen Mirren e Ian McKellen em trama instigante


Abra bem os seus olhos...


2009. A bela viúva Betty McLeish (Helen Mirren, Oscar por A Rainha e de A Maldição da Casa Winchester e Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw) procura conhecer alguém num site de relacionamentos, e depara com o encantador Roy Courtnay (Ian McKellen das trilogias O Senhor dos Anéis e O Hobbit) que rapidamente ocupa espaço em sua vida, e apesar das reservas de seu neto Stephen (Russell Tovey de Quantico) ela investe nesse relacionamento, e como poderia ser diferente? Roy é charmoso, elegante, bem falante e divertido, e demonstra bastante apreço pela doce viúva, não fosse um pequeno detalhe: Roy é um golpista safado, que vive de ludibriar os outros, e que se fosse pego nos países islâmicos, não teria uma, mas as duas mãos cortadas. Embora planeje convencer a viúva a entrar num negócio fajuto, visando limpar seus substanciais fundos até deixá-la sem nada Roy começa a lutar com a ideia de estar realmente se afeiçoando a Betty, colocando-o num impasse.


Roy Courtnay (Ian McKellen) e Betty McLeish (Helen 
Mirren): Relacionamento em tempos de internet...


Dirigido por Bill Condon (Oscar pelo roteiro de Deuses e Monstros que dirigiu com McKellen indicado como melhor ator) A Grande Mentira (2019) equilibra bem humor, drama e tensão numa história de golpes, expectativas e surpresas. McKellen, com a competência de sempre, nos mostra a forma como Roy, junto com seu parceiro de golpes Vincent (Jim Carter de Downton Abbey) cativa as suas vítimas, homens de negócios em busca de investimentos de lucro rápido (não importando se lícitos ou não...) na melhor tradição de “ladrão-que-rouba-ladrão”,e embora seja um personagem cativante rapidamente nos mostra que ele não exita no uso da violência para assegurar os seus ganhos ou para manter os seus disfarces, de forma rápida, contundente, e até letal, pois só porque é um velhinho simpático, não podemos esquecer que criminosos também envelhecem (e se estiverem na política, envelhecem e se aposentam muuito bem).


O neto de Betty Stephen (Russell Tovey) sente 
que Roy não é esse "Príncipe" que sua avó diz....

O roteiro de Jeffrey Hatcher (Sr. Sherlock Holmes) a partir do aclamado livro de Nicholas Searle (não publicado no Brasil) trabalha as circunstâncias do encontro entre esses dois idosos, com situações até previsíveis, dada a premissa simples da história, mas surpreendendo nas reviravoltas e nas motivações de seus personagens, bem como nas suas origens, mostrando o quanto um fugitivo pode se viciar na adrenalina de estar sempre fingindo ser quem não é, ou como adolescentes despeitados podem ser destrutivos em momentos históricos perigosos ou como pessoas esquecidas podem voltar do passado para ajustar contas. A vida sempre surpreende...


Roy tem como aliado Vincent (Jim Carter) em 
seus golpes na área financeira...

A elegante fotografia de Tobias A. Schliessler (A Bela e a Fera) e a montagem de Virginia Katz (Sr. Sherlock Holmes) habituais colaboradores de Condon situam bem a trama e sua atmosfera, entre a casa de Betty num condomínio e os Nightclubs e apartamentos alugados que Roy usa para seus golpes, havendo uma mudança interessante na palheta de cores quando os protagonistas viajam para Berlim, e em alguns momentos ficando com um ritmo narrativo que remete à O Mistério de Berlim de Steven Soderbergh (2006) quando são revelados dados do passado de Roy.



Roy, escorregadio como só ele, faz de tudo
 para driblar Stephen...

Reflexos: Roy esconde segredos sobre as suas origens...

O desenho de produção de John Stevenson (Burton e Taylor) capta o estilo cotidiano da casa rural e Betty, a falsa imponência dos escritórios de araque usados para golpes na área financeira e a passagem do tempo nos ambientes berlinenses da época e dos anos do antes e do pós-Segunda Grande Guerra de forma sutil, da mesma forma que os figurinos de Keith Madden (Patrick Melrose e Sr. Sherlock Holmes ) caracterizam as personalidades de seus personagens, seja na delicadeza dos vestidos de Betty seja na simplicidade dos trajes de Roy quando quer parecer “um bom velhinho” inofensivo que usa boina e guarda-chuva ou na imponência dos seus bem cortados ternos quando quer se passar por um poderoso banqueiro, como um camaleão, tudo com sutil elegância, se bem que, Mirren e McKellen são elegantes até mesmo como mendigos, não conseguem evitar...


Velho mas não indefeso: Roy mostra quando 
necessário ser perigoso e mortal...

Condon, conduz a trama de forma eficiente, embalado pela trilha sutil de Carter Burwell (Três Anúncios para um Crime, Carol) que sublinha a ação seus intérpretes, sem chamar atenção para si, permitindo que “duelem” seja no gestual, ou num olhar, revelando certezas e dúvidas, mostrando que nem sempre o mais competente enganador é aquele que se orgulha de seus logros (“-Você não está nisso pelo dinheiro Roy!” lhe diz o seu amigo Vincent em certa altura “- É pela adrenalina do jogo!!!” ) e se julga verdadeiramente senhor de seus atos...


Ao final, Roy atinge o seu objetivo... ou não?


A Grande Mentira vale a ida ao cinema se você acha que vale ver o desenrolar de uma trama baseada apenas em boas interpretações, uma história bem amarrada e uma boa condução narrativa, no melhor estilo inglês, com um humor sutil, momentos de ação inesperados e doses dramáticas na medida que a história pede, de forma equilibrada, coisa rara nestes tempos de Tiro, Porrada & Bomba...


Betty: "- Você me ama?" 

Roy: "- Eu tenho uma grande afeição por você..."


Resenha: As Outras Versões da Família Robinsom


Os outros exploradores

por Alexandre César 


O conceito da família exploradora em suas variações


Aproveitando a iminência do lançamento da nova versão de Perdidos no Espaço (2018) pelo serviço de streaming Netflix, revisito o conceito dos “Robinsons”, icônica família que já foi várias vezes dimensionada e formatada pela cultura popular em mais de uma mídia. Outros tempos, outros náufragos.

Origem- A Família Robinson Suíça


Aqui também chamada de 
"A Família do Robinson Suíço".

Escrito pelo pastor Johann Rudolf Wyss e publicado em 1812, este clássico popular, com algumas semelhanças com Robinson Crusoé, de Daniel Dafoe (de onde deve ter sido inspirada), e de Dois anos de férias, de Júlio Verne, narra as aventuras da família Robinson, formada pelo Sr. Starck, sua esposa Isabel e seus quatro filhos: Frederico, Ernesto, Rudly e Fritz, o mais novo,que herdaram uma fazenda nos Estados Unidos, emigrando num navio de colonos, que é apanhado por uma feroz tempestade arrastando-o ao longo de vários dias para sudoeste, levando-o a naufragar, sendo abandonado à pressa pela tripulação, já com terra à vista, deixando os Robinson para trás, entregue à própria sorte. Ao final eles acabam numa ilha remota sãos e salvos, conseguindo ainda resgatar boa parte da carga do navio (alimentos, roupas, ferramentas, armas, madeiras, etc) que os ajuda a enfrentar a sua difícil situação. A história segue num conjunto de situações cotidianas desde o desembarque e a adaptação ao local até ao estabelecimento de uma nova vida e realidade, num ambiente desconhecido. Todas as situações dali decorrentes se assentam nos valores da união familiar, sua inteligência e tenacidade, pois apenas com estes atributos foi possível que a família encontrasse forças e formas de viver e subsistir.

“A Cidadela dos Robinsons” foi o filme de maior bilheteria de 
1960, desbancando clássicos como “Spartacus”...

Esta obra foi várias vezes filmada, sendo a mais conhecida a versão de 1960 produzida por Walt Disney, A Cidadela dos Robinsons, dirigida por Ken Annakim, com John Mills,  Dorothy McGuire e James MacArtur.




Quadrinhos - The Space Family Robinson



"Space Family Robinson": Bem 
antes da série de Irwin Allen...

Série original de quadrinhos, publicada pela editora Gold Key Comics de 1962 a 1982, num total de 59 números, roteirizada por Dell Connell e desenhada por Dan Spigle, com capas pintadas de George Wilson, antecipou Perdidos no Espaço (1965-1968). Sendo também baseada na idéia central da Família Robinson Suíça, obviamente inspirou em parte a série de Allen, que junto com a CBS (rede que veiculava a série) entrou com um acordo com a Western Publishing (a licenciadora) permitindo o uso do título Lost in Space pela revista (Foi um acordo de cavalheiro$).

Os personagens desta versão 
espacial dos Robinsons...

Aqui, os Robinsons são o casal de cientistas Craig (o pai) e June (a mãe). Os filhos Tim (o menino) e Tam (a menina) além dos mascotes Clancy (um cão) e Yakker (um papagaio). Os exploradores viviam na “Space Station One”, um veículo espacial com jardins hidropônicos, observatório, acomodações confortáveis e dois módulos espaciais de desenbarque. Sendo selecionados por um computador como os mais qualificados física e mentalmente para operar a estação, eles deixaram a Terra em 2001, sendo atingidos por uma tempestade cósmica que os traga para um ponto do cosmo fora das rotas conhecidas, começando aí a sua jornada de encontrarem um caminho de volta para a Terra. O título foi cancelado em 1969, retornando em 1973, graças ao sucesso de Star Trek, na época também publicada pela Gold Key, sendo novamente cancelada em 1977, e revivido com reimpressões em 1981 e mais tarde sendo reimpressa pela Dark Horse Comics em 2011. Curiosamente o famoso artista da Disney Carl Barks teria em 1960 sugerido uma versão espacial de A Família Robinson Suíça, mas ninguém teria se interessado, fato desconhecido pela equipe criativa da revista.
 
As capas de George Wilson eram um 
atrativo à mais, emulando as revistas pulps...

The Space Family Robinson foi publicada com sucesso no Reino Unido, saindo, a partir de 1966 na publicação semanal Lady Penelope ("a revista das meninas que adoram televisão") que passou a publicar as aventuras de SpaceFamily Robinson , tendo sido usados os mesmos personagens e a tecnologia dos títulos da Gold Key, mas foram roteiros originais, não reimpressões. Além de Lady Penelope, os exploradores do espaço dividiram espaço em publicações com outros personagens como os Thunderbirds, tendo inclusive algumas histórias feitas por autores ingleses, cuja autoria não é conhecida ao certo, embora haja grandes razões para supor que em sua maioria tenham sido escritas pelo subeditor de Lady Penelope, Brian Woodford e desenhadas por John M. Burns. 

Após o acordo, a revista foi rebatizada como
 "Space Family Robinson: Lost in Space"


Sua popularidade era tanta que até inspirou uma peça musical, embora não relacionados com os personagens originais, produzida em Londres em 2002 intitulada SpaceFamilyRobinson, sobre um homem que perdeu-se de sua família no planeta Terra quando esta é destruída por alienígenas, apenas para descobrir que ele havia sido resgatado por uma ex-namorada que quer vingança. O show foi escrito por Julian Butler, com canções de Julian & Stephen Butler, sendo apresentado no Pleasance Theatre em Londres entre 4-26 de maio de 2002, tendo em seu elenco nomes conhecidos do meio de teatro musical inglês como Hannah Waddigham, Tim Barron, Helena Biggs, Stuart Piper e Arvid Larsen. A produção foi dirigida por Oliver Campbell-Smith. Apesar do moderado sucesso – tendo inclusive sido produzido um CD da trilha musical - a produção não foi mais reencenada desde então.
  A trilha sonora do musical se encontra no soundcloud podendo ser ouvido.

Capa do CD da trilha sonora do show musical de 2002...
  


TV- O desenho animado da Hanna-Barbera (1973)



O piloto animado que mesclava o seriado 
com algumas idéias de "Space Family Robinson"...



LostinSpace:TheAnimatedSeriesfoi um piloto de série de animação televisiva produzido pelo estúdio Hanna-Barbera(Os Flintstones, Os Jetsons, Jonhy Quest). A série nunca foi produzida pois nenhuma rede de TV se interessou pelo projeto, tendo apenas o piloto sido produzido, indo ao ar como parte da série The ABC Saturday Superstar Movieem 8 de septembro de1973. Aqui, vemos a Júpiter2, uma nave de passageiros numa missão de rotina da Terra á Saturno comandada por Craig Robinson, recém saído da AcademiaEspacial(e tendo o robô como co-piloto) levando o seu irmão caçula Link , a geologista Dina Carmichael e o Dr. Zachary Smith, aqui apenas um passageiro regular (Jonathan Harris dá a voz ao personagem).

Personagens amalgamados: Craig e Dina
 
Durante a viagem a nave é danificada por uma inesperada tempestade de meteoros, indo parar num planeta não cartografado fora da rota, onde encontram dois povos em conflito: Os Throgs, semelhantes a sapos, e de civilização tribal, e os Tyranos, de aspecto robótico e avançados tecnológicamente. Após alguns conflitos, Craig consegue mediar a paz entre os dois povos e fazê-los trabalharem juntos, e após repararem a Júpiter 2saem em busca do caminho de casa, para a tristeza do Dr. Smith que havia encontrado uma enorme fonte de diamantes.

Triunvirato: Link, Smith (voz de Jonathan Harris) e o robô...

O piloto não acrescenta muito à mitologia da série, com uma animação convencional (fruto de um orçamento pequeno) e visualmente parecendo um episódio extendido de Os Herculóidesou de Space Ghost, mas sem muita criatividade, com a Júpiter2 parecendo mais um jato do que um disco voador, e fundindo personagens, com Graig sendo um amálgama de John Robinson e Don West, Dina, sendo uma fusão de Maureen, Judy e Penny numa só personagem feminina e Link, um genérico de Will Robinson. Os mais parecidos com a série original são Smith, ardiloso e matreiro, embora seja um passageiro e não um clandestino sabotador, e o Robô, cujo visual lembra o do seriado, embora mais simplificado. 

Personagens genéricos: Os "Tyranus" parecem 
saidos de um episódio de "Os Herculóides"...
 
O episódio pode ser visto no You Tube, é só procurar.
 
TV- A Família Robinson (1975-1976)
 
Outros náufragos: Jeremiah Worth (Cameron Mitchell), Carl (Martin Milner)
 o pai, a filha mais velha Helga (Helen Hunt), Lottie (Pat Delaney) a mãe,
Fred (Wilie Ames) o do meio e Ernie (Eric Olson) o caçula.

Irwin Allen, que tinha a obra como uma de sua favoritas da juventude, cujo conceito básico adaptou para Perdidos o Espaço, aqui egresso de seus sucessos cinematográficos O Destino do Poseidon (1972) dirigido por Ronald Neame e Inferno na Torre (1974) dirigido por John Guillermin (que lhe legou a alcunha de Senhor Desastre) retornou as suas origens e produziu essa série fofa, veiculada entre os anos de 1975-1976, adaptando a obra original de Johann Wyss em histórias divertidas, numa versão aventureira de Os Waltons, outro campeão de audiência da época. O elenco tinha o pai Carl (Martin Milner), A mãe Lottie (Pat Delaney), o filho mais velho Fred (Wilie Ames), a filha adolescente Helga ( uma jovem Helen Hunt) e o caçula Ernie ( Eric Olson). Como contraponto tinhamos o velho marujo trambiqueiro e gente-boa Jeremiah Worth (Cameron Mitchell) que às vezes se metia em algumas encrencas, entre as aventuras, dinamizando a série que alternavam as dificuldades que a família enfrentava, ensinando lições sobre a vida, a adolescência, entre outras.

A série era como se fosse uma versão náufraga dos Waltons...

O cenário principal era a casa na árvore, e por lá passaram rostos conhecidos como Leslie Nielsen, Frank Langella entre outros.


Cinema- Perdidos no Espaço (1998)
 
 
O filme de 1998: A nova (e disfuncional) 
família espacial: Pai, mãe, filhos, robô e agregados...


Dirigido por Stephen Hopkins (O Predador 2 de 1990) esta adaptação com roteiro de Akiva Goldsman, produzida pela New Line Cinema lançada em 1998 adapta o plot dos primeiros episódio da série, dando um tom mais sombrio, investindo mais na aventura e ação do que no humor camp, mas tendo os seus momentos, dividindo opiniões entre os que gostaram e os que odiaram.

O Júpiter 1: Módulo de lançamento, homenageia o design original da nave...
 

Aqui a trama é ambientada em 2058, quando a exaustão a curto prazo dos recursos naturais da Terra impelem a Força Espacial Global (o governo) a criar o projeto de colonização de Alpha Prime, mundo que orbita a estrela de Alfa Centauri, sendo os Robinsons encarregados de lá chegando, construírem um hiperportal em órbita do planeta para receberem futuras naves, sendo o Júpiter 2 equipado com um dispositivo de hiperdireção, que permitirá quando instalado no portal, que as naves evacuem a Terra e levem os colonos ao novo mundo. Simples, não?


Will (Jack Johnson) e Smith (Gary Oldman): O mal
 é o mal, mas tem lá o seu charme...

Não, porque uma facção rebelde, que constantemente tenta destruir o hiperportal, assassinou o piloto original, sendo convocado para substituí-lo o Major Don West (MatLeBlanc), piloto de guerra que inicialmente não vai muito com a cara do Prof. John Robinson (Willam Hurt), apesar de trocar olhares com a sua filha mais velha, a Dra. Judy (Heather Graham). A família mais disfuncional do que na versão televisiva tem na Dra. Maureen Robinson (Mimi Rodgers) o pulso firme para defender os seus filhos, a adolescente Penny (Lacey Chabert) e o geniozinho traquina Will (Jack Johnson), todos ameaçados pela sabotagem do Dr. Zachary Smith (Gary Oldman) que aqui é mais seco e contido do que a versão televisiva mas que tem lá o seu charme. 


O Júpiter 2: Tecnologia de ponta deram à nave 
uma mobilidade digna de um certo cargueiro coreliano.....


 A Produção de 70 milhões de dólares (da época) se reflete nos cenários e efeitos especiais, com destaque para toda a parte envolvendo as sequências de vôo da Júpiter 2, alternando CGI e modelos práticos como na cena da decolagem e do pouso forçado, cortesia da Medings Magic Camera Company, do lendário Derek Medings (Thunderbirds e vários filmes de OO7) aqui continuando o seu legado. O principal ponto fraco do lado técnico fica por conta da CGI do personagem Blarp, que fica muito falsa, parecendo desenho animado, que destoava com a palheta de cores da fotografia, coisa que o personagem Smith-Aranha apesar de sua limitações, não tinha.


Judy (Heather Grahan) Maureen (Mimi Rodgers) e 
Penny (Lacey Chabert): Empoderamento feminino...

Apesar dos pesares o saldo do filme era positivo, tendo inclusive a participação especial de atores originais da série, mas infelizmente boa parte da crítica crucificou o filme e a fraca bilheteria inviabilizou a possibilidade de uma continuação.

O "Smith-Aranha": O CGI que dividiu opiniões...


TV- The Robinsons: Lost in Space (2004)
 
2004: A nova tentativa de colocar os Robinsons fora de órbita...

Coube ao famoso diretor de filmes de ação John Woo ( Fervura Máxima, A Outra face , O Pagamento) dirigir o piloto desta nova tentativa de reformular os Robinsons. Escrita por Douglas Petrie ( Buffy, a Caça Vampiros, CSI e Pushing Daisies) este piloto teve um custo de 2 milhões de dólares, e nos mostra a retirada do comandante John Robinson (Brad Johnson) do serviço militar após anos enfrentando uma raça alienígena hostil em guerra com a Terra. Ele quer ficar mais tempo com a sua família, apoiado por sua esposa, a Dra. Maureen (Jayne Brook que futuramente seria a Vice-Almirante Katrina Cornwell de Star Trek: Discovery) eles partem na nave de colonização Júpiter, com outras famílias de colonizadores para o sistema de Alfa Centauri. Ele quer estreitar os laços com seus filhos, dos quais se sente afastado. 


Vida à dois: John (Brad Johnson) e Maureen 
(Jayne Brook) Robinson e as dificuldades de criar uma família...


Seus filhos são a rebelde Judy (uma jovem Adrianne Palicki, que anos depois protagonizou o piloto não aprovado da Mulher-Maravilha de David E. Kelley e foi a sexy agente Bobbi Morse em Marvel´s Agents of S.H.I.E.L.D. e a Comandante Kelly Grayson em The Orville) que quer se acertar com o cadete Don West (Mike Erwin) que teme que o relacionamento afete a sua carreira, temos o inseguro filho do meio David (Gil McKinney) que quer provar ao pai o seu valor, o filho mais novo Will (Ryan Malgarini) gênio mirim que está desenvolvendo o seu próprio robô para resolver os seus problemas de bulliyng na escola e a bebê de colo Penny. Ao passarem próximos a um buraco negro, a Júpiter é atacada por uma frota de alienígenas, que invadem a nave matando a todos no caminho.


Tradição: Como sempre Will salva a pátria na hora "H"....


 Os Robinsons e West embarcam na Júpiter 2, um dos módulos de emergência (que lembra vagamente uma mistura da nave clássica com a versão do cinema) e escapam da Júpiter, que explode, junto com David, que ficou para trás no conflito antes de John ter tido aquela conversa de pai e filho que eles tanto ansiavam (o rapaz tinha vocação para camisa vermelha da Star Trek clássica...). Sem terem tempo para as lágrimas pois os caças inimigos continuam em seu encalço, a solução é penetrar na orla do buraco negro para pegar um empuxo gravitacional, coisa que que Will possibilita ao conectar a CPU e a unidade de força do robô aos controles do módulo, permitindo-lhes atravessar a singularidade, indo parar no outro extremo da galáxia ou próximo disto, terminando o grupo perdido literalmente, pois assim termina o piloto num clima de que os problemas só estão começando.
 
Judy Robinson (Adrianne Palicki) antes 
da "S.H.I.E.L.D." e de "The Orville"...

The Robinsons: Lost in Space, apesar da qualidade apresentada, não impressionou a Fox Television que engavetou a série, por julgá-la muito parecida com o reboot de Battlestar Gallactica (humanos caçados pelo espaço por alienígenas). Outro fator que deve ter pesado é a total ausência do Dr. Smith ou de um personagem equivalente, pois os antagonistas de aspecto meio reptiliano/insectóide já eram ameaça suficiente, mas não eram personagens relacionáveis. O cancelamento inclusive nem permitiu a finalização de algumas cenas do piloto, como uma que não teve o apagamento digital dos fios que suspendiam Will, cortando a dramaticidade da cena. Depois deste e de outros desentendimentos com a Fox, Woo retornou a Hong Kong, retomando seus projetos pessoais.


A Júpiter: Nave-Mãe atacada por alienígenas...



Este piloto, se encontra na íntegra (em inglês, ainda sem legendas), disponibilizado em 5 partes no You Tube, mas é uma cópia de baixa qualidade, não permitindo apreciar as qualidades da imagem plenamente. Serve para dar uma idéia do que poderia ter sido a série.

O Júpiter 2: Módulo de fuga transformado na nave principal...
 

Em virtude destas várias reinvenções do conceito da família de náufragos concebido por Johann Rudolf Wyss, lá atrás em 1812 só podemos cruzar os dedos e torcer para que seja numa ilha, no espaço, em dimensões ou linhas temporais paralelas, possamos sempre ter uma Família Robinson nos mostrando que a união e o apoio entre os membros de um grupo é a chave para a sobrevivência tanto de seus membros quanto dos valores e crenças por eles representados.

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