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Crítica: Akame Ga Kill! 1ª Temporada



Bonitinhas, mas sanguinárias

 

por Alexandre César 


Anime investe em personagens cativantes e ação 

 

 

Capa do 1º volume do mangá . Houveram
 algumas mudanças na adaptação para o
 anime, principalmente no final...

 Personagens femininas de anime/mangá costumam ser desenhadas no geral como bonequinhas sorridentes esguias mas bem torneadas, com uma beleza infanto-juvenil, sublimando o fetiche (pedófilo latente) de boa parte do fandon convencionadas no imaginário coletivo como bonequinhas indefesas ou justamente esse contrário de uns 30 anos para cá...

 

O ingênuo Tatsumi  chega do interior e se deslumbra 
com a capital do império, querendo entrar para o exército...


Encontrando no caminho Leone, que lhe "passa
 uma conversa" e lhe toma todo o seu dinheiro...

O gênero de mangá chamado Shonen (originário da revista Shonen Jump,da editora Shueisha que publica semanalmente vários mangás que originaram vários animes de grande sucesso, dos quais Dragon Ball, Yu-yu Hakucho, Cavaleiros do Zodíaco, One Piece e Naruto são os mais conhecidos, se caracteriza por aventuras de grupos de heróis, com grandes habilidades, que obviamente enfrentam oponentes igualmente poderosos, resultando ocasionalmente desses embates, em mortes de personagens importantes para agitar a audiência, mas não alterando significativamente o quadro geral na maioria das vezes, pois muitas vezes ocorrem ao final do arco narrativo (da saga do momento) um “reset” que volta o status quo original para continuar publicando as revistas. Nada que no frigir dos ovos não seja tão diferente da Marvel/DC americanas que só sacrificam de fato algum personagem quando não há retorno financeiro em sua publicação, sendo normalmente sacrificados em alguma super-saga cíclica (a “crise”da vez)...


Ao ser acolhido por uma família nobre, o desamparado 
Tatsumi tem um "Choque de Realidade" sobre o real 
caráter de seus "benfeitores"...


...sendo convencido a entrar para a "Night Raid", o 
"grupo terrorista" segundo a versão oficial do império...


Akame ga Kill!( a tradução literal seria "Assassino de Olhos Vermelhos") surgiu como uma série de mangá shonen com roteiros de Takahiro e ilustrada por Tetsuya Tashiro sendo em pouco tempo adaptada do mangá para o anime que estreou nas emissoras de TV Tokyo MX, MBSe BS11em 6 de Julho de 2014 e por começar a animação quando o mangá ainda estava sendo publicado, alguma mudanças acabaram acontecendo, similar ao que aconteceu com a saga de livros de George R. R. Martim As Crônicas de Fogo e Gelo que ao serem adaptadas na mega série Game of Thrones acabaram ultrapassando o material impresso e precisando andar por conta própria (coisa similar ocorreu com Akira de Katsuhiro Otomo, cujo mangá ainda estava sendo publicado enquanto o anime era feito e seguindo adiante deste).


Quem vê cara... A séria e contida Akami (no alto) e 
a bricalhona e sensual Leone a despeito de sua 
aperência, são assassinas poderosíssimas.

 Veiculada atualmente pela Netflix, a série surpreende por tal qual a saga de Westeros não poupar personagens, sacrificando vários ao longo de seu arco narrativo em cenas fortes em que a violência gráfica predomina. Se estivéssemos na Enterprise da Star Trek clássica possivelmente todos os personagens seriam camisas vermelhas*.


A General Najenda (de tapa-olho e braço mecânico) é a 
líder da "Night Raid" e atua em equipe junto com o
 "Exército Revolucionário" (que nunca vemos)...


... coordenando os ataques da equipe a alvos 
selecionados entre a elite dominante da capital.


Acompanhamos o jovem Tatsumi que sai com dois amigos de sua vila pobre rumo à capital do império, com o objetivo de alistar-se no exército e adquirir riquezas e então poder ajudar o povo de sua pobre vila. E assim que chegando na capital, ele que idealizava o exército e a sua função de proteger as pessoas descobre que na verdade tudo o que imaginava estava errado ao perceber a corrupção esmagadora e a pobreza massiva da população, e logo em seu primeiro dia na cidade por obra das circunstâncias, ao escapar traumaticamente de uma armadilha armada por nobres sádicos, que ele descobre terem aprisionado e matado seus amigos da vila, ele acaba ingressando na Night Raid, organização rebelde, pichada como terrorista, que luta contra o império.


Após algumas perdas o Império convoca a bela e cruel 
General Esdeath (de cabelos azuis) para fazer frente à
 "Night Raid" e montar uma equipe equivalente...


... e logo o efeito se faz sentir. Nenhum personagem da série 
é poupado, daí as comparações com "Game of Thrones".


Embora o personagem principal não seja a personagem-título, este anime se caracteriza por ter presença feminina significante, diferenciando-se de uma parte significativa da linha Shonen por ter tantas mulheres fortes não apenas de espírito, mas também fisicamente ocupando vasta gama de posições, indo de guerreiras super habilidosas até até posições de liderança. Um dos principais artefatos usados pelos personagens, sejam eles heóis ou vilões, são as Armas Imperiais (Teigu), forjadas há mil anos atrás na época da fundação do império, sendo cada uma delas capazes de conferir uma habilidade a seu usuário, podendo ser espadas, armaduras, armas de fogo ou qualquer tipo de acessório, estando algumas delas de posse do império ou dos revolucionários e outras, desaparecidas.


Os "Jaegers" a equipede Esdeath (no centro) é composta por
 Seryu, a ruiva; o psicótico Dr. Stylish; Bols, o incendiário, o 
idealista Wave; Kurome, a irmã de Akame; e Run, o arcanjo...

... logo trazendo dificuldades e perdas para a equipe rebelde,
 levando Najenda a buscar reforços para seus quadros.

 Com uma boa qualidade de animação, tanto em traços como movimentação e áudio impecável, o enredo, embora simples (aqui cessam as semelhanças com Game of Thrones pois a trama é simplíssima do ponto de vista político, até demais se comparada à trama de Westeros), tem como ponto principal seus os personagens, cujo maior destaque é o time feminino, começando por Akame a personagem-título, conhecida como uma das melhores assassinas do Império, cujo comportamento ativo e severo é decorrente de seu treinamento infernal.


Tanto Akame quanto a sua irmã caçula Kurome tiveram o 
mesmo treinamento nas artes da trevas (daí os olhos vermelhos) 
sendo que Akame luta para não se consumir por elas...

 Originalmente encarregada da missão de assassinar a ex-general Najenda, ela acaba sendo convencida por ela a se unir-se em sua cruzada contra o Império, e assim, ela se tornou um membro do Night Raid. Leone, a loura durona e brincalhona que no início se aproxima de Tatsumi com promessas de conseguir entrar no exército, para roubar todo o seu dinheiro. desse seu encontro é o que ele conheça os nobres que eram seus alvos no momento. Quando ela testemunha Tatsumi matar o último nobre(que havia torturado e matado seus amigos), ela percebe seu potencial e decide recrutá-lo para o Night Raid. Mine é uma menina geniosa que porta uma mega-pistola, cujo temperamento lhe faz tratar os membros menos afortunados, como Tatsumi e Lubbock, como seus escravos. Lubock tem a habilidade de tecer teias afiadas como navalhas e é secretamente apaixonado pela Comandante Najenda, apesar da diferença de idade e do fato dela usar um tapa-olho e ter um braço mecânico. Sheele é a melhor amiga de Mine e usa um par descomunal de tesouras, sendo o contraponto à agressividade da amiga, que nasceu e cresceu na fronteira ocidental do império sendo ridicularizada sem piedade por seu sangue estrangeiro. Bulat, um ex-oficial do exército imperial tem uma super-armadura e se torna o mentor de Tatsumi (sempre deixando-o receoso porque ele é gay)


Contrastes: Mei, a sniper do grupo, é geniosa 
e de temperamento explosivo...

... enquanto Bulat, usuário de uma armadura 
poderosa, é tranquilo e sereno ...

Inicialmente a trama é um pouco episódica, mostrando Tatsumi e Cia. Se familiarizando uns com os outros e da do cabo de alvos como por exemplo, Zanku, um psicopata a serviço do império que ouve a voz de suas vítimas dentro de sua cabeça(daí o seu estado alucinado) mas logo para fazer frente a Najenda e os Night Raid, o governo, controlado pelo cruel Primeiro-Ministro, que é o verdadeiro vilão da história, manipulando o Imperador (que é apenas um menino mimado e adulado por ele) cria um grupo especializado para defender a capital; Os Jaegers, liderados por outra mulher, a General Esdeath, que acaba sendo a maior e mais perigosa inimiga dos revolucionários, um verdadeiro Exército-de-Uma-Mulher-Só, capaz de atos de extrema crueldade, mas que procura uma amor para preencher o seu coração e a sua vida e, curiosamente cai de paixão por Tatsumi, lembrando muito a relação de Pepe Le Pew (o gambá) e a gata preta dos desenhos da Warner. Esdeath reúne um grupo heterogêneo mas equivalente à seus adversários, como Wave,um equivalente a Tatsumi, que na realidade não é realmente mal, tal qual Run, o arcanjo louro, e Bols, o incinerador (mas bom marido e pai amoroso) além de Kurome, irmã de Akame, perversa e ansiosa para matá-la e Seryu, a lindinha que é uma louca psicótica que acredita piamente estar a fazer o bem com um código de honra distorcido.

Ironia do destino: A cruel e poderosa Esdeath se apaixona
 por Tatsumi (sem saber que ele é da "Night Raid") ...
...agarrando-se a ele tal qual "Pepe Le Pew" (o gambá dos 
desenhos do Pernalonga) tentando ganhar o seu coração a 
todo custo (e ele fugindo tal qual a gata)...

 As lutas protagonizadas por todos os personagens, em especial as femininas, são intensas, não sendo poupadas nenhuma delas de forma realmente empolgante protagonizando embates que deve-se evitar piscar para não perder algum momento, pois os Jaegers junto com a overpower Esdeath (MUITO overpower) logo começam a causar baixas à Night Raid, que posteriormente tem o acréscimo de Chelsea, uma ruivinha com habilidades de disfarçar-se de seus inimigos para eliminá-los. e Susanoo, a Arma Imperial Viva, que além de sua incrível força e resistência é ótimo cozinheiro, embora sofra de TOC. Ambos são recrutados por Najenda para repor as perdas de companheiros que morreram em combates sangrentos com os Jaegers.

Seryu (a ruivinha dos "Jaegers") acredita piamente 
estar do lado certo, revelando-se em combate uma 
psicopata de pedra das mais alucinadas...

Como já foi dito no início deste texto, uma característica marcante da série é a forte presença feminina, sendo um grande diferencial dos outros animes estilo shonen, pois embora não desmerecendo os personagens masculinos, muito pelo contrário, pois Bulat, Susanoo e Lubbock tiveram papéis importantíssimos na trama, merecendo o seu destaque, da mesma forma como os integrantes masculinos dos Jaegars que também são marcantes, como Wave, Run e Bols. Mas, no frigir dos ovos, as mulheres roubaram a cena em Akame Ga KILL!.

Além da boa animação,a direção de arte do anime
 é muito boa, com cenários belíssimos.
A oposição das duas líderes, tendo de um lado a imponente Nagenda, carismática, firme mas inspiradora para os seus comandados e do outro a Gen. Esdeath, uma das melhores personagens da animação, sendo ao mesmo tempo uma mulher sádica que não tem empatia por pessoas que ela considera fracas, por viver de acordo com a filosofia de seu pai ("- Os fortes sobrevivem e os fracos morrem!"), não hesitando em matar pessoas inocentes para obter o que quer e, contraditoriamente ela que é considerada a mulher mais forte do império escolhe se apaixonar à primeira vista, como uma adolescente, por um indivíduo que é membro da resistência! Este tipo de contraste dá uma simpatia inesperada pela vilã-mor e de forma similar observamos o contraste entre personagens que tem uma persona cruel como Bols, que incinerou milhares de inocentes mas era devotado à sua família, e no seu íntimo certo de ser merecedor de castigo. Neste quesito novamente a animação se aproxima da saga de Westeros, mostrando que todos podem ser bons e maus ao mesmo tempo, coisa frequentemente refletida no traço dos rostos dos personagens, que demonstram feições pacíficas e dóceis durante grande parte de seus diálogos, para logo em seguida mudar drasticamente suas características faciais para algo aterrorizante, mostrando a real maldade que existe em si mesmos (coisa muito comum em mangás).


As cenas de combate são bem coreografadas, não
 deixando no embate final, pedra sobre pedra.

No final, Tatsumi (de armadura) e Akame unem forças para 
derrubar o governo corrupto da capital, derrubando tuudo...

 Ao final Akame Ga Kiill! Apesar de ser superficial na descrição do ambiente político-social do mundo descrito é uma boa opção de anime, com belos cenários e doses certas de ação, drama e comédia, além de apresentar personagens cativantes que nos fazem torcer para que eles sobrevivam as duras cenas de luta que não medem esforços para serem violentas e intensas...


"- E ao final, poucos restarão de pé..."




*: Recurso narrativo em que temos um personagem secundário que é o primeiro a morrer. O termo se originou na série clássica, em que os oficiais de segurança usavam camisas vermelhas e quase sempre morriam de forma violenta nas missões. Na ficção, de modo geral, um camisa vermelha é um personagem cujo propósito é morrer logo que aparece, de forma a mostrar que os personagens principais (que não morrem nunca) correm perigo. https://pt.wikipedia.org/wiki/Camisa_vermelha



 

Crítica - Séries: Westworld - 3ª Temporada


Qual é o tamanho da sua gaiola?


por Alexandre César


Trocando o Western pela Sci-fi distópica, série se expande

 

 

Na temporada anterior Dolores Abernathy (Evan Rachel wood) 
descobriu na "Biblioteca" que tanto humanos quanto "anfitriões" 
são prisioneiros de um destino programado...

“- Você é muito parecido comigo, pois eles previram e traçaram todo o rumo da sua vida e aí o colocaram numa gaiola, assim como me colocaram!”

Falta de perspectivas: Chaleb Nichols (Aaron Paul) e seu 

"colega de trabalho" na obra. Ele complementa a renda 
com pequenos crimes que negocia num aplicativo 
mas sua vida é árida e vazia...
Francis (Scott Mescudi) e Chaleb tem um passado 
em comum no Exército e além...

Assim Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood de No Escuro da Floresta dominando plenamente o papel de “Exército de Uma Mulher Só”) explica de forma bem contundente a Chaleb Nichols (Aaron Paul de Breaking Bad, a nova peça do tabuleiro) a crua realidade do mundo ordenado pelas corporações que com suas Inteligências Artificiais cruzam todos os seus dados de compras, despesas, acessos na internet, etc... e aí levantam o seu “perfil” prevendo como provavelmente será a sua vida e se nesta projeção você for considerado pouco relevante, será conduzido um loop infinito de oportunidades profissionais sem possibilidades de crescimento, sem chances de crescimento econômico numa eterna posição secundária, até descartá-lo, confirmando esta previsão, ao invés de criar mecanismos que permitam romper com essas amarras, tornando os seres humanos tão prisioneiros desta programação quanto... um robô!

Maeve Milay (Thandie Newton) Brincando com uns
 nazistas "só para exercitar...."

Esta é a premissa da terceira temporada de Westworld, a premiada série da HBO qcriada por Joanthan Nolan (Pessoa de Interesse) e Lisa Joy (Pushing Daisies) baseada no filme de 1973 escrito e dirigido por Michael Crichton (autor de Parque dos Dinossauros, livro que inspirou a franquia de filmes Jurassic Park/ World ) que agora aposta em mostrar o mundo exterior, real, onde vivem os seres humanos, numa trama que mescla a espionagem industrial, lutas corporativas e a manipulação da nossa noção de liberdade pelo capital, mostra que o mundo foi transformado num grande parque temático pelos mega plutocratas e sua corporações, onde os homens são tão prisioneiros de suas “programações” quanto os anfitriões, que nos parques da Delos eternamente repetem a mesma rotina de ações programadas, e de forma similar, como foi mostrado na temporada anterior (quando um anfitrião revela que os seres humanos não são seres complexos, podendo a sua essência ser condensada num livro) não é muito difícil para uma avançada Inteligência Artificial traçar progressões que levem as pessoas a cumprirem suas metas, levando as suas vidas para onde ela julgar mais adequado. Visto isso, as aspirações à liberdade individual e à autodeterminação se tornam questões acadêmicas...


Ao longo dos episódios vemos as projeções e os gráficos do Sistema
 ROBOHAN sobre a situação global e eus prognósticos futuros...


O logo da Incite mostra um labirinto em escala global...

 Além de Chaleb, temos uma outra peça no tabuleiro: Engerraund Serac (Vincent Cassel de Ameaça Profunda) CEO da Incite Inc. e o grande vilão desta temporada. Definido pelo prório Cassel como “um fascista legal”. Serac é a personificação da visão do indivíduo que tem um sonho e na criação desse sonho não hesita em gerenciar o pesadelo em escala global para concretizar a sua visão, sempre achando que está fazendo a coisa certa, e aí de quem fica no seu caminho...


Engerraund Serac (Vincent Cassel), o marionetista-chefe
 e "Dono do Pedaço" (ou não?)

 Agora no mundo exterior Dolores, auxiliada por Chaleb, se aproxima de Liam Dempsey Jr. (John Gallagher Jr. de NYPD Blue) playboy , filho do sócio fundador da Incite para ter acesso aos dados do ROBOHAN*, mega inteligência artificial, o “Deus” desenvolvido por Serac, que prevendo as sua ações, traz Maeve Milay (Thandie Newton de Han Solo: Uma História Star Wars) com o objetivo de combater Dolores, vivenciando no 2º episódio (Como escapar de uma prisão invisível) um verdadeiro “tour de force”das suas habilidades para sair de uma prisão virtual do Nazi World, um parque temático da 2ª Guerra Mundial, compartilhado com versões simuladas de seu amor Hector Escaton (Rodrigo Santoro de Turma da Mônica: Laços) e Lee Sizemore (Simon Quaterman de Distante) que haviam perecido na temporada anterior. 

Bernard Lowe (Jeffrey Wright) e Ashley Stubbs (Luke Hemsworth):
 Uma senhora "Dupla Dinâmica"...)

Serac faz a Maeve uma proposta de que ela o auxilie contra Dolores em troca de poder reunir-se com a sua filha, que no final da temporada anterior, junto com muitos outros anfitriões haviam tido as suas consciências levadas para um ambiente virtual fora do alcance humano. Mas devemos ter em mente que Maeve não é uma “pessoa” que deve ser vencida mas sim, convencida para que ela faça o que se espera dela. Argumentos furados não colam.

Quando criança Serac viu a destruição de Paris,(atentado terrorista?)

Dolores usa as “pérolas” (consciências de anfitriões) em versões sintéticas de humanos que ela eliminou tais como Charlotte Hale (Tessa Thompson de Vingadores: Ultimato); que posteriormente torna-se uma “Dolores rebelde” (discordando do plano original e dando uma senhora virada); Martin Connely (Tommy Flanagan de Guardiões da Galáxia Volume 2) “consertador” das M* de Liam Jr. e Musashi (Hiroyuki Sanada de Speed Racer) o “Hector” do Shogun World, sendo os dois, os únicos a seguir à risca o plano, não importando as consequências...

"Se quer uma coisa bem feita faça-a você mesmo!": Musashi 
(Hiroyuki Sanada),Dolores, Martin Connely (Tommy Flanagan) 
e Charlotte Hale (Tessa Thompson) encarnam a frase literalmente...

Usado como bode expiatório pelo massacre no parque, Bernard Lowe (Jeffrey Wright de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 numa performance contida, servindo de guia para o espectador nos meandros da trama) procura descobrir os planos de Dolores, e acaba criando uma ótima e divertida dinâmica com Ashley Stubbs (Luke Hemsworth de Crypto em ótimo timing humorístico) que no final da última temporada, descobrimos ser um anfitrião infiltrado entre os empregados do parque, tendo inclusive numa cena dentro de um laboratório do parque, uma divertida brincadeira com o último carro-chefe da HBO, a amada e odiada Game of Thrones**.

Aliança de ocasião: Maeve faz um trato com Serac para deter Dolores.
 
Bernard ao final cresce em importância quando resolve o seu vínculo com o finado Arnold e descobrimos a parte que lhe é reservada no plano de Dolores, tornando-se ao final super importante para a (já confirmada) temporada seguinte.

William (Ed Harris) continua assombrado por ter 
matado a sua filha Emily (Katja Herberts)...

 No 5° episódio (Quebrando os ciclos) vemos o jovem Serac (Alexandre Bar de Swipe Right) e seu irmão Jean Mi (Paul Cooper de The Gifted) associarem-se a Liam Dempsey Sr. (Jefferson Mays de Lista Negra) CEO da Incite, financiador da criação de ROBOHAN, inclusive no episódio ele tem uma cena bastante significativa quando “enquadra” o Presidente Filo do Brasil (Al Coronel de Lúcifer) numa sutil crítica à situação política atual***.

Numa "terapia" virtual o "Homem de Branco" confronta as suas facetas...

No 7° episódio (Um novo líder) temos revelações sobre o passado de Chaleb, e seu passado no exército, a operário da construção civil que complementa a renda com “trampos” via aplicativo de celular **** e sua relação com Francis (Scott Mescudi de Need for Speed: O Filme) passando da posição de peão a pedra angular do plano de Dolores, quando fica evidente que mais do que as suas habilidades como soldado, são as suas qualidades de empatia e solidariedade que fazem a diferença para assumir um papel de liderança e realmente fazer a diferença.

Na sede da Delos, novas tecnologias...

...como este drone de controle de multidões...

E para grande surpresa William, agora o Homem de Branco (Ed Harris de Tempestade: Planeta em Fúria como sempre, fantástico) que parecia terminar o seu arco no início da temporada retorna após uma inusitada terapia em que confronta suas principais forças motivadoras com uma nova motivação: Salvar o mundo! reinventando-se de forma a gerar novos desdobramentos na série pois se antes ele passou os últimos 35 anos trucidando robôs, por desprezar a humanidade, agora para salvar a humanidade ele irá... trucidar robôs! Nada como um paciente que respondeu bem ao tratamento! E de qualquer forma na cena pós-créditos do último episódio temos a ligação com a cena final da temporada anterior (também pós-créditos) e o gancho para a próxima temporada, que de certa forma faz uma ponte com a icônica construção de personagem de Yul Brynner no filme de 1973, além de se aproximar da sequência de 1976*****.

Hector Escaton (Rodrigo Santoro) tem os seus momentos 
de brilho junto a sua amada Maeve...
A vila de Besalu na Catalunha forneceu a locação do
 "NaziWorld", ambientado na Segunda Guerra Mundial.

 Ainda temos uma rápida aparição de Clementine Pennyfeather (Angela Sarafyan de Teddy Bundy: A Irresistível Face do Mal ) e Hanaryo (Tao Okamoto de Wolverine: Imortal) em Jacarta, numa típica cena de Girl Power para matar as saudades das atrizes e uma breve ponta de Lawrence (Clifton Colins Jr. de Capote) mas nunca curvando-se ao fanservice.

A sede da Delos foi filmada na Cidade das Artes e Ciências 
de Calatrava (La Fabrica) em Valencia, Espanha.No alto,
 um drone de transporte.

Os drones cresceram em tamanho e segurança, tomando
 o lugar dos helicópteros no serviço de táxi-aéreo.

A música de Ramin Djawadi (Game of Thrones) alterna temas compostos aliados à uma seleção de obras conhecidas bem disfarçadas como fundo incidental, indo de Space Odity de David Bowie, A Cavalgada das Walkírias de Richard Wagner, a introdução do tema de O Iluminado de Wendy Carlos, Brain damage do Pink Floyd ou até mesmo o tema de Love Story de Francis Lai, bem conectada com o pique narrativo da edição de Andrew Seklir (Fargo) e Stephen Semel (Pessoa de Interesse) que de acordo com a necessidade do texto é contemplativa ou então picotada e dinâmica.

Hanaryo (Tao Okamoto) e Clementine Pennyfeather 
(Angela Sarafyan) tem o seu momento "Girl Power"...

A direção de arte optou por um futuro clean e 
elegante na superfície e distópico em seu interior...

 O desenho de produção de Howard Cummings (Minha Vida com Liberace) e Jonathan Carlos cria o mundo exterior com as instalações da Delos com o seu aspecto “Museu do Amanhã” auxiliados pela direção de arte de Jonathan Carlos (Hotel Artemis), James Bolenbaugh (A Lavanderia), Aja Kai Rowley (O Chamado da Floresta), Chris DiLeo (A Justiceira), David Meyer (Vice), Rebekah Scheys, Leslie Ewe (Podres de Ricos), Rachel Rockstroh (Artista do Desastre) e Alejandro Fernàndez (O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio) foge ao lugar comum da maioria das séries e filmes de ficção científica, porém, esse não é um mundo distópico clássico, à lá Blade Runner, poluído, chuvoso e decadente, optando por um futurismo fundamentado nas tendências da arquitetura atual: Clean, arejada, luminosa e sintética, numa estética que mistura locações em vários países além dos EUA.

Nos ambientes ricos e decadentes da elite fica
 evidente o grande parque temático que o mundo virou...
Singapura, com seus tetos verdese jardins suspensos
 forneceu uma ótima paisagem de fundo, complemetada pelo CGI.
 Atuando em conjunto com a direcão de arte, a fotografia de John Grillo (The Leftovers), Paul Cameron (Crime sem Saída), Zoe White (O Conto da Aia) e Matt Flannery (Apóstolo) que valoriza as locações incríveis como a Ponte Helix de Cingapura e seus telhados verdes e jardins verticais ou a Cidade das Artes e Ciências de Calatrava (La Fabrica) em Valencia, na Espanha para a sede da Delos, e que também forneceu a vila de Besalu no nordeste da Catalunha para o Nazi World, auxiliada pela decoração de sets de Julie Ochipinti (O Grande Truque) e Federico del Cerro (Balada do Amor e do Ódio) ilumina com painéis grandes de LED nas paredes e peças personalizadas no mobiliário e acessórios, mantendo a linguagem visual e atmosfera das temporadas anteriores neste mundo em expansão, mesclando aquie e ali um interessante mix Industrial-pós-moderna-gótico, coisa que os efeitos visuais da CoSA VFX, Important Looking Pirates (ILPvfx), Shade VFX,Chicken Bone Effects colaboram para detalhar neste mundo em que drones substituíram os helicópteros, cadeados tem combinações digitais e táxis elétricos atendem remotamente além dos provadores de roupa serem virtuais, podendo o cliente ver no espelho uma simulção de como o traje ficará nele, além de nos permitir ver a “nudez” de Dolores quando ela inicialmente desmontada vai se recompondo aos olhos de Chaleb, vestindo as partes de sua pele por sobre o seu esqueleto metálico.

Chaleb e Dolores: O herói relutante e a mentora destemida...

 Os figurinos de Shay Cunlife (2012) e Jo Kissack (Nothing Left to Fear) criam modelitos elegantes como o branco e Maeve ao acordar no mundo real e o vermelho usado no Nazi World ou os trajes de ar executivo de Charlote e os sexys mas contidos modelos de Dolores, com destaque para o seu pretinho básico que numa festa, ao ela puxar um elemento, se torna majestosamente um longo vestido dourado, mostrando que ela é uma Rainha, coisa evidente nos trajes de combate que ela e Maeve usam quando lutam diretamente, enfatizando a equivalência delas, que são duas Abelhas-Rainhas, embora não necessariamente oponentes...

Uma Rainha não anda, ela desfila, e em grande estilo...

 Ao final Westworld se renova e continua desafiador em seus questionamentos sobre livre-arbítrio, identidade, trans-humanismo e sobre o que é “real” não subestimando a inteligência do espectador e desafiando-o a trilhar o labirinto, não explicando tudo o que se vê mas deixando pistas para montemos o quebra-cabeças num mundo obcecado por controle em que os seres humanos são os anfitriões presos em seus próprios loops determinados por classe social, educação, cultura e normas sociais. Familiar não???

"- Eu me desnudo para você totalmente. 
Agora, mostre serviço rapaz!!!"


*: Roboão ou Reoboão, filho do Rei Salomão (I Reis 11:43) filho de Salomão e de Naamá, a amonita, tendo subido ao trono aos 41 anos, logo após a morte de seu pai, quando ocorreu um cisma e o Reino de Israel foi dividido em dois reinos. Roboão tornou-se Rei do Israel Meridional (tribo de Judá e Benjamin), passando a ser chamado Reino de Judá. No site da Incite (www.inciteink.com) há a explicação à Rehoboam, cujo design esférico “é um lembrete da responsabilidade coletiva que temos um com o outro neste planeta, um comprometimento à força e a melhoria por meio da computação objetiva e do machine learning sofisticado.” A representação esférica (ou melhor, circular) é um elemento recorrente, servindo como quebra de blocos e mudança de cenário a cada episódio da série.

 
Game of Costa Rica: À direita,o Drogon genérico, e os técnicos...
**: Na cena do 2° episódio (Como escapar de uma prisão invisível) menciona-se um futuro parque na Costa Rica, onde em Jurassic Park (outra história criada por Michael Crichton) se localizavam as ilhas Nublar e Sorna, cuja temática é medieval, onde vemos David Benioff e D. B.Weiss, os criadores de Game of Thrones, numa ponta como técnicos testando as atrações do parque e entre elas, um dragão semelhante a Drogon o mascote número um de Daenerys Targaryen.

Os"técnicos" Davic Benioff e D.B. Weiss, os "pais" 
da saga de Westeros na TV...

***: Muita gente criticou a cena pela imagem estereotipada apresentada do Brasil, tendo uma tenda numa floresta com uma estrada aberta onde o avião de Serac está pousado, parecendo a Transamazônica dos anos 1970 (só faltava o Amaral Neto, repórter puxa-saco da ditadura) mas sejamos sinceros: A maneira como a cena é montada temos um mega-empresário manipulador que conhece mais o país (e os membros do governo) melhor do que o próprio presidente, que ele colocou no poder e, pode removê-lo se não se sentir satisfeito (e inclusive fala o português melhor do que o próprio presidente...) e levando-se em conta a imagem que o país foi ganhando com a guinada para a extrema-direita desde o golpe parlamentar de 2016, culminando nas eleições de 2018 foi ficando cristalizada no exterior a imagem de que: “o Brasil voltou a ser uma 'República das Bananas' dos anos 1970” portanto nada mais lógico do que representá-lo como tal... Doloroso, é verdade, mas inquestionável.

"- Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo..."

***: RICO é um app de freelances, só que com pegada de deep web. Serviços como redistribuição de justiça, corrida compartilhada, roubo de carros e até ser babá estão ao seu dispor. Se soa familiar é porque ele claramente foi inspirado em games de mundo aberto baseados em missões, como no GTA Voc em que você recebe uma ligação, assalta um banco e missão cumprida, tal Caleb e seus amigos criminosos Giggles (Marshawn Lynch de Same Energy) e Ash James (Lena White de Jogador Nº1) em “trampos” do aplicativo
*****: Mundo Futuro: Ano 2003, Operação Terra de Richard T. Heffron com Peter Fonda, Blythe Danner, Arthur Hill, Stuart Margolin e Yul Brynner.


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